Governo recusou dar mais tempo à Deloitte para entregar auditoria do Novo Banco

A Deloitte pediu ao Governo para adiar a entrega da auditoria ao Novo Banco, mas o pedido de prorrogação do prazo foi recusado pelo ministro das Finanças, revelou o primeiro-ministro.

A Deloitte pediu ao Governo para adiar a entrega da auditoria ao Novo Banco, mas o pedido de prorrogação do prazo foi recusado pelo ministro das Finanças, João Leão. Assim, o relatório sobre a gestão do banco nos últimos anos tem de ser entregue até final do mês, dentro de uma semana, declarou esta sexta-feira o primeiro-ministro, António Costa.

“Relativamente ao Novo Banco, o auditor que está a elaborar a auditoria pediu uma prorrogação do prazo, e essa prorrogação do prazo foi recusada pelo ministro de Estado e das Finanças que insistiu que até ao dia 31 de julho tem de ser entregue. Assim que for entregue será também enviada ao Parlamento”, revelou o primeiro-ministro no debate sobre o Estado da Nação.

António Costa respondia às questões de Catarina Martins, que voltou a abordar o processo de auditoria que está em curso no Novo Banco. A coordenadora do Bloco de Esquerda começou por lembrar a polémica injeção de 1.035 milhões de euros no banco efetuada no início de maio: foi autorizada pelo então ministro Mário Centeno, quando o primeiro-ministro tinha prometido a Catarina Martins que novas injeções só aconteceriam depois de serem conhecidos os resultados dos trabalhos da Deloitte, gerando uma crise política.

“Não voltarei aos eventuais problemas de comunicação no governo. Mas volto à auditoria. Este é o último debate da sessão legislativa e não há notícia da auditoria. Embora não faltem notícias inexplicáveis, negócios imobiliários em que os donos do banco vendem propriedade a si próprios a valor baixo para depois a perda ser uma das imparidades que justifica novos pedidos de injeção ao Fundo de Resolução. Uma gestão mais que duvidosa num banco que custa milhões aos contribuintes – tudo isso só pode suscitar preocupação”, referiu Catarina Martins, para depois colocar a questão: “Senhor primeiro-ministro, quando teremos acesso à auditoria ao Novo Banco? O governo garantiu que os resultados seriam conhecidos em julho e julho está a acabar”.

Inicialmente, a auditoria especial realizada pela Deloitte deveria estar concluída em maio, mas a pandemia provocou um atraso nos trabalhos, pelo que ficou definido o mês de julho como novo prazo para a entrega do relatório.

Há vários meses que os auditores estão a passar a pente fino os atos de gestão na instituição financeira nos últimos 18 anos. São mais de quatro dezenas de técnicos da Deloitte que estão a analisar operações de crédito, incluindo concessão, garantias, reestruturações ou perdões de dívida, decisões de investimento ou desinvestimento realizadas em Portugal e no estrangeiro e ainda decisões de compra e venda de ativos, como determina a lei 15/2019, a chamada lei dos grandes devedores, que desencadeou todo o processo de auditoria especial.

São 100 créditos tóxicos que estão na mira: 50 créditos maus que estão no perímetro do mecanismo de capital contingente que obriga o Fundo de Resolução a injetar dinheiro no Novo Banco sempre que acionado; e outros 50 créditos com grande peso na instituição e que tinham sido identificados pelo Fundo de Resolução como devedores relevantes.

Como revelou o ECO, a auditoria vai custar cerca de três milhões de euros ao banco.

(Notícia atualizada às 11h04)

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