“Claro que sabemos o beneficiário último” das vendas dos imóveis, diz António Ramalho no Twitter

O CEO do Novo Banco garante no Twitter que sabe quem é o "beneficiário último" dos imóveis que a instituição vendeu.

António Ramalho saiu esta terça-feira em defesa do Novo Banco, instituição que preside, no Twitter, assegurando que o banco sabe quem é o “beneficiário último” dos imóveis que foram vendidos.

Claro que sabemos o beneficiário último e que foi analisado detalhadamente pelo compliance do banco e feitos todos os relatórios“, escreveu António Ramalho no Twitter, em reação a questões colocadas por um utilizador, esclarecendo que “todas as sociedades são detidas pelo vencedor do concurso, a Anchorage”.

Em causa está a notícia do Público que revelou os detalhes de uma operação de venda de imóveis que gerou prejuízo de 159 milhões de euros ao Novo Banco, que viriam a ser cobertos pelo Fundo de Resolução. De acordo com o jornal, o banco foi o vendedor, mas também foi financiador de um fundo de investidores anónimos nas ilhas Caimão.

Uma das dúvidas levantadas pela notícia é quem foi o beneficiário último destas vendas — ou seja, os investidores por detrás da Anchorage –, suspeitando-se de ligações ao Lone Star, fundo de investimento norte-americano que comprou o Novo Banco em 2018. As ligações entre as duas instituições existem, por exemplo, em David Bartlett, que passou de vice-presidente do Lone Star para diretor da Anchorage Capital, segundo o Público.

Numa reação à notícia, o Novo Banco veio rejeitar que a operação em causa tivesse tido impacto direto no Fundo de Resolução. “Esta operação [venda de imóveis do portefólio ‘Viriato’] não teve qualquer custo direto para o Fundo de Resolução porque a generalidade dos imóveis não estão cobertos pelo mecanismo de proteção de capital“, afirmou o banco em comunicado, referindo ainda que a operação foi realizada “segundo os melhores padrões internacionais”.

Tanto à esquerda como à direita, os partidos já se insurgiram contra as operações relatadas. O PS vai requerer que o presidente do Novo Banco seja ouvido logo na reabertura dos trabalhos parlamentares, em setembro. E o PSD já admitiu que pode vir a propor uma comissão de inquérito relacionado com o Novo Banco. “Pode ser pior do que se imaginava”, reagiu Rui Rio, classificando de “muito grave” o que foi feito, caso se prove que é verdade.

(Notícia atualizada às 17h51 com mais informação)

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