Crédito da casa recupera após mínimos de nove meses. Foram 833 milhões em junho

Os bancos concederam 833 milhões de euros em novo crédito para a casa em junho, a recuperar após cinco meses seguidos de quedas ditadas pela pandemia.

Junho foi marcado por uma recuperação da concessão de crédito à habitação, apesar de ligeira. Naquele mês, os bancos disponibilizam 833 milhões de euros em empréstimos para comprar casa, mais três milhões face ao mínimo de nove meses registado em maio.

Os dados divulgados pelo Banco de Portugal nesta sexta-feira mostram a primeira subida após cinco meses seguidos de quedas na concessão de crédito habitação, que coincidiu com o período do confinamento. Os 833 milhões de euros concedidos em junho, representam um aumento de 0,36% face aos 830 milhões disponibilizados em maio.

Essa recuperação ocorre num mês em que o país voltou a funcionar quase em pleno, com a generalidade das empresas a operar e muitos portugueses também já a retomarem o dia-a-dia.

Crédito da casa com recuperação ligeira

Fonte: Banco de Portugal

Apesar dessa recuperação, os níveis de concessão de crédito à habitação ficaram ainda assim aquém do registado no mesmo mês do ano passado. A redução foi de 1,8%, com menos 15 milhões de euros concedidos, com o valor concedido em junho a cair para mínimos de dois anos, em termos homólogos.

Crédito ao consumo dispara

À semelhança da habitação, as restantes finalidades de crédito às famílias também recuperaram em junho. Essa recuperação foi particularmente notória nos empréstimos para consumo. Em junho, foram concedidos 318 milhões de euros com esse fim, um disparo de 34,7% face aos 236 milhões registados em maio, e após o mínimo de sete anos registado em abril, ocasião em que as famílias se mantinham confinadas em casa.

O volume de empréstimos ao consumo concedidos em junho ainda assim também está aquém do registado no mesmo mês de 2019. A quebra é na ordem dos 24,5%, equivalente a 103 milhões de euros.

Crédito ao consumo dispara 34% em junho

Fonte: Banco de Portugal

Já nos empréstimos com outros fins, os números do Banco de Portugal apontam para uma concessão de 179 milhões de euros, 13,3% acima do valor verificado em maio: 158 milhões de euros. Em termos homólogos, a evolução também foi positiva, tendo-se registado um aumento de 5%.

Crédito às famílias volta a acelerar no semestre

Apesar da contenção sobretudo nos meses marcados pelo confinamento, o balanço do primeiro semestre indica um novo aumento na concessão de crédito às famílias. Nos primeiros seis meses do ano, os portugueses foram buscar à banca 8.588 milhões de euros em empréstimos, mais 4,22% que no ano anterior e um novo máximo desde 2010.

Esse acrescimento foi alimentado pelo financiamento para a compra de casa. Nos seis primeiros meses do ano os portugueses contrataram 5.342 milhões de euros em crédito à habitação. Trata-se de uma subida de 8,4% face ao mesmo período do ano passado. É também o mais elevado dos últimos 12 anos. Mais em concreto desde o primeiro semestre e 2008.

No caso do consumo, a tendência foi no entanto de queda. Os portugueses foram buscar à banca 2.071 milhões de euros em empréstimos para consumo no primeiro semestre. Ou seja, uma quebra de 10,4% face ao mesmo período do ano passado.

Já os empréstimos aos particulares com outros fins subiram 17,6% em comparação com o primeiro semestre do ano passado, para 1.175 milhões de euros.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h16 para incluir revisão dos dados do Banco de Portugal aos valores referentes aos meses de fevereiro, abril e maio)

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