Futebol português faturou 851 milhões na época pré-Covid

O presidente da CIP revelou ao ECO os principais dados do novo anuário da Liga Portuguesa, referente à temporada 2018/2019, que será apresentado oficialmente esta quarta-feira.

António Saraiva, presidente da CIP, em entrevista ao ECO - 04DEZ19

A Liga de Clubes, em conjunto com a EY, prepara-se para lançar esta quarta-feira o anuário referente à época 2018/2019. A apresentação será feita na conferência “Futebol Profissional e Economia Pós COVID-19”, que contará com a presença do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e do presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva. Um evento que também procura encontrar soluções para o futuro desta indústria no pós pandemia.

Em declarações por escrito ao ECO, o líder da CIP revelou antecipadamente que os valores do novo anuário, elaborado pela EY, melhoraram significativamente em relação ao ano anterior.

“Em 2018-19, o futebol profissional contribuiu com 549 milhões de euros para o PIB, resultado dos 851 milhões de euros gerados em volume de negócios pela Liga Portugal e pelas Sociedades Desportivas. Além disso, produziu mais de 150 milhões de euros em impostos e é responsável por mais de 2.620 postos de trabalho, ou seja, um aumento de quase 34% face ao ano anterior,” explicou António Saraiva. Para o líder da CIP, estes números demonstram “a capacidade do setor na criação de emprego, direto, o que à luz do atual contexto económico, não é de somenos”.

Números positivos quando comparados com o relatório da época 2017/2018, em que as competições profissionais (I e II Liga) geraram perto de 607 milhões de euros em volume de negócios, contribuindo com cerca de 396 milhões de euros para o PIB português, e criaram 1.958 postos de trabalho – valores que, na altura, foram explicados pela diminuição do montante das transferências de jogadores.

Contudo, as melhorias económicas que se verificaram na temporada passada sofreram um grande revés com o surgimento da pandemia de Covid-19. De recordar que no passado mês de abril, a Liga de Clubes estimava uma queda entre 350 e 400 milhões de euros nas receitas previsionais imediatas devido à paragem do futebol nacional. Além disso, diversos emblemas da I e II Liga decidiram recorrer ao mecanismo de lay-off para fazer face às dificuldades que o vírus provocou no setor.

“A pandemia veio exponenciar aquilo que, de alguma forma, já eram fragilidades empresariais, desde logo, a estrutura financeira de grande parte do nosso tecido empresarial, muito dependente do endividamento“, frisou António Saraiva.

Perante as condições adversas provocadas pela Covid-19, a estratégia dos clubes portugueses para voltarem a erguer-se passará por, nesta altura, “encontrar novos modelos de negócio”.

Todos os setores, quase sem exceção, enfrentam atualmente uma redução significativa da sua atividade, e terão, por força das circunstâncias de se reinventar, encontrar novos modelos de negócio. Esse caminho está a ser feito pelas empresas, e ninguém pode fazê-lo a não ser as próprias”, salientou o presidente da CIP.

CIP e Liga de Clubes defendem futebol na alçada do Ministério da Economia

Em março deste ano, o organismo presidido por Pedro Proença anunciou uma parceria com a Confederação Empresarial de Portugal e revelou ainda que ambas as entidades consideram que o futebol nacional deveria sair da atual esfera de atuação do ministério da Educação e transitar para o ministério da Economia.

Questionado pelo ECO sobre como esta proposta surgiu, António Saraiva explicou que o desporto mais mediático do país tem um papel importante no panorama económico de Portugal, fazendo sentido estar na alçada do Ministério liderado por Siza Vieira.

“O futebol é hoje uma indústria que representa cerca de 0,3% do PIB, gera mais de 850 milhões de euros em volume de negócios, paga mais de 150 milhões de euros em impostos e cria emprego. É, além do seu contributo económico, uma das indústrias mais competitivas de Portugal”, disse em primeiro lugar. “É uma indústria que deveria ser valorizada e acarinhada enquanto tal. Não há qualquer razão para que não seja tratada como a atividade empresarial que é, sendo o seu lugar natural sob a alçada do Ministério da Economia”, acrescentou.

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