AIG apresenta 7,9 mil milhões de dólares de prejuízo no 2º trimestre

  • ECO Seguros
  • 6 Agosto 2020

A seguradora norte-americana que, na emergência da Grande Recessão, foi resgatada pelo banco central de Nova Iorque, apresentou prejuízo pesado, explicado com desconsolidação da Fortitude.

A AIG, sexta maior seguradora dos EUA em termos de capitalização bolsista, apurou um resultado líquido negativo de 7,9 mil milhões de dólares no segundo trimestre. As perdas, que equivalem a uns aproximados 6,67 mil milhões de euro (taxa de câmbio corrente), comparam com lucros de 1,1 mil milhões de dólares um ano antes.

O American International Group (AIG) tem sede em Nova Iorque e está presente em 80 países (incluindo Portugal) operando em seguros gerais, ramo Vida e pensões.

O segmento de seguros gerais (propriedade e danos, seguros pessoais, acidentes e linhas comerciais) apresentou um declínio de 2% em volume bruto de prémios, para cerca de 8,47 mil milhões de dólares, com o valor líquido de prémios subscritos a recuar 16%, para 5,55 mil milhões (-29%, para 2,3 mil milhões no mercado norte-americano).

O resultado de subscrição foi negativo em 343 milhões de dólares, sendo que as perdas estimadas com a pandemia (Covid19) ascendem a 458 milhões, somando-se 126 milhões por sinistros associados a agitação civil nos EUA e 90 milhões de dólares por danos de catástrofes naturais. O rácio combinado no conjunto do negócio de seguros gerais agravou-se, de 97,8% no final de junho de 2019, para 106,0% no fecho de igual mês em 2020.

No ramo Vida e pensões, a companhia alcançou um resultado bruto de 881 milhões de dólares, 16% menos face ao apurado um ano antes, refletindo o efeito financeiro da crise em pensões e investimentos e os níveis de crescente mortalidade associada à pandemia (Covid-19), refere a AIG em comunicado. No entanto, o valor bruto de prémios (incluindo comissões) cresceu acima de 70%, para cerca de 2,3 mil milhões de dólares.

O elemento que marca o balanço da companhia presidida por Brian Duperreault (CEO) é a operação de venda de 76,6% do capital da Fortitude, por um total de 2,2 mil milhões de dólares, melhorando o perfil de risco da companhia e a reduzir a exposição a uma pesada carteira de legacy (ativos e apólices muito antigas), onerosas porque são pobres em retorno e eficiência (lucro) e também pelo risco associado.

De acordo com os números, foi a desconsolidação desta subsidiária que mais pesou no balanço. O prejuízo líquido apresentado pela companhia para o período entre abril e junho explica-se precisamente por uma parcela de 6,7 mil milhões de dólares relacionados com o desinvestimento da Fortitude (operação de alienação ao Carlyle Group e a T&D United Capital foi concluída e contabilizada no início de junho), e mais 1,8 mil milhões em perdas líquidas de capital decorrentes de variações em investimentos de renda fixa, taxas de juro, além de ajustamentos por ganhos não realizados e menos-valias diversas.

Depois de impostos, a desconsolidação da Fortitude será contabilizada por um valor negativo em torno de 4,3 mil milhões.

Resgatada no início da Grande Recessão e vendida com lucro

Conotada com o que poderia ter sido um terramoto ainda maior na Grande Recessão (crise do subprime, iniciada em 2008 com o colapso do banco Lehmann Brothers), a AIG foi resgatada por (muito) dinheiro público – através do Federal Reserve Bank of New York (FRBNY), um dos 12 bancos regionais parte do sistema da Reserva Federal dos EUA (Fed) – e reemergiu, em 2012, ostentando atualmente a sexta maior capitalização de mercado (cerca de 46,5 mil milhões de dólares) entre as maiores seguradoras americanas cotadas em bolsa.

Nos anos idos, prévios à Grande Recessão, a AIG cobria o risco de muitos contratos no inflacionado mercado imobiliário norte-americano e, no prelúdio do rebentamento da designada bolha do subprime (hipotecas de alto risco titularizadas e que minaram a banca norte-americana e, depois, o mercado financeiro global), já se encontrava com escassez de recursos para pagar os “ativos tóxicos” que os bancos (alguns curiosamente denominados Freddie Mac e Fannie Mae) vendiam entre si e a investidores.

Quando a crise estoirou, nos finais de 2008, o AIG era um dos gigantes demasiado grandes para deixar falir (too big to fail) e teve de ser resgatado. Receando a ameaça de risco sistémico amplificado, o FRBNY injetou muitas dezenas de milhar de milhões de dólares, resultando, ainda em 2008, na tomada de controlo pelo FED de Nova Iorque sobre cerca de 80% do capital social do grupo segurador.

A pior notícia chegou quando, nos primeiros meses de 2009, a AIG anunciou o maior prejuízo trimestral da sua história (61,7 mil milhões de dólares no último trimestre de 2008). A fechar o ano que marcou o rebentamento da bolha imobiliária, o AIG apresentou um balanço anual com buraco superior de 99 mil milhões. Depois da histórica falência da Enron, não se encontrava paralelo.

As injeções de capital para sanear a companhia sucederam-se desde 2007-2008, por um total de três ou quatro envelopes carregados de dinheiro público, sendo que o último esforço (29,8 mil milhões) foi transferido em março de 2009. A fatura total para salvar a AIG elevou-se aos 182 mil milhões de dólares.

O grupo segurador acabou por ser salvo e, graças a um processo de desintoxicação que levou três anos e aproveitou a recuperação económica, o Federal Reserve de NY vendeu a sua participação, em blocos, por um montante estimado de 205 mil milhões. A reprivatização foi concluída em 2012 com saldo favorável de 22,7 mil milhões a favor do Estado.

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