Portugal vai ter 6,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Porquê este número?

A maioria dos cientistas estima que pelo menos 70% da população deve ter anticorpos para prevenir um surto.

“Os otimistas acreditam que no final deste ano haverá os primeiros lotes. Os realistas têm de acreditar que os otimistas têm razão”. A frase é do primeiro-ministro e foi proferida esta quinta-feira enquanto anunciava a compra de 6,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Este número não abrange toda a população do país, mas sim cerca de dois terços. Será isto suficiente para atingir a imunidade de grupo? As estimativas dos cientistas variam.

Apesar da dimensão da compra, a primeira fatia a chegar será de 690 mil doses, que devem começar a ser distribuídas a partir de dezembro. Ainda não é certo como serão distribuídas, mas António Costa explicou que tal terá “como referência a estratégia nacional e correspondentes populações-alvo a definir pela Direção-Geral da Saúde”.

A vacinação será “progressiva, universal e gratuita” para a população portuguesa assegurar esta imunização, acrescentou o primeiro-ministro. Se olharmos para o bolo inteiro, as 6,9 milhões de doses, não chegará para todos os portugueses. A população de Portugal é de 10,28 milhões, segundo as últimas estimativas compiladas da Pordata. Desta forma, as doses são suficientes para vacinar pouco mais de dois terços da população residente em território nacional (cerca de 67%).

Ora, a vacinação em massa da população é uma das formas de atingir imunidade de grupo contra uma doença. Mas a percentagem da população que tem de ter anticorpos contra a doença para chegar a este nível varia consoante o vírus e vários outros fatores, nomeadamente a forma de transmissão.

Para a Covid-19, os cálculos oscilam aproximadamente entre os 50% e 83% da população, sendo que a maioria dos cientistas estima que pelo menos 70% da população deve ter anticorpos para prevenir um surto. A encomenda de vacinas que Portugal espera está assim dentro dos moldes para o qual se espera atingir imunidade.

Atualmente, Portugal ainda está longe da imunidade de grupo, já que apenas 2,9% da população tem anticorpos contra o novo coronavírus, de acordo com o primeiro Inquérito Serológico Nacional à Covid-19, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, conhecido no final do mês passado.

Esta aquisição foi feita através da Comissão Europeia, que definiu um modelo “que atribui a cada um dos Estados-Membros o direito de aquisição de uma quantidade determinada de vacinas contra a doença Covid-19″, segundo indica o comunicado do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

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