Avante vai ter mais espaço e menos pessoas. Quanto rende a festa ao PCP?

A Festa do Avante já representou mais de 90% do total de angariação de fundos do partido. Mas o valor não é linear.

O Avante tem dominado a agenda do dia, numa altura em que ainda se ultimam os moldes e limitações que vai ter. Mais restrita e com medidas de segurança reforçadas, a festa organizada pelo PCP vai ter apenas um sexto dos participantes que costuma ter, o que poderá influenciar os fundos angariados com o evento pelo partido. Não é, no entanto, fácil de avaliar qual o impacto já que o peso do evento nas contas do partido também não é linear. Em 2017, o Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) apontava para receitas avultadas, mas o partido já falou em prejuízos em 2019.

O PCP tem conseguido manter um saldo positivo nas contas dos últimos anos. Para isso, tem contado com cerca de dois milhões de euros na rubrica de angariação de fundos, sendo que, em 2019, totalizou 2.909.240,13 euros. Deste valor, não é claro quanto diz respeito ao Avante. Em maio, a SIC Notícias (acesso livre) adiantou que o evento teria rendido mais de 2 milhões de euros ao PCP, mas o partido contrariou.

Numa publicação na página de Facebook da Festa, o partido escreveu que “em 2019, a Festa do “Avante!” teve um saldo negativo de 564 mil euros”, apesar de sublinhar que resultado “incorpora o investimento no terreno para melhoria do acolhimento ao visitante”. O partido defendeu ainda que “a importância da Festa do «Avante!» vai muito para lá de qualquer questão financeira”.

O partido não explicou, no entanto, qual o montante do investimento ou quais as receitas conseguidas com a festa. Num parecer referente às contas de 2017, a ECFP apontava que a principal “iniciativa de angariação de fundos” do PCP, a Festa do Avante, representa “cerca de 91,2% da totalidade desta rubrica”. Ou seja, um valor próximo de dois milhões de euros, em receitas.

A entidade nota ainda que “foram identificadas várias situações de deficiências no suporte documental no que respeita ao detalhe dos rendimentos obtidos”. Os problemas identificados prendem-se com as duas principais receitas deste evento de angariação de fundos: os bilhetes para a entrada (mais de 900 mil euros) e a restauração (mais de 1,2 milhões de euros).

“O partido não dispõe de uma relação com o montante total de Entradas Permanentes (EPs) [bilhetes], os respetivos valores de venda e a reconciliação com os rendimentos refletidos na contabilidade”, diz a entidade no relatório. Além disso, “não estavam anexados os respetivos talões de venda dos caixas [da restauração], pelo que não foi possível confirmar a efetividade e a razoabilidade destas vendas”, acrescenta.

Desta forma, é difícil perceber o impacto total da Festa do Avante, um evento que acarreta tanto receitas como custos, para as contas do partido, sendo que, nos últimos anos, o Avante terá mesmo registado prejuízos. Este ano, são várias as mudanças e medidas que o partido já definiu para realizar a festa, que incluem uma lotação reduzida, lugares sentados para os concertos e limpeza e desinfeção dos espaços.

O número de participantes (e consequentemente bilhetes vendidos e pessoas para gastarem dinheiro com restauração) vai cair para pouco mais de 16.500, segundo as exigências da Direção-Geral de Saúde. Este é apenas um sexto do total de 100 mil visitantes que costumam visitar o recinto. A quebra, tal como maiores custos com medidas de segurança, deverão influenciar as receitas que o partido obtém com o evento.

Questionado pelo ECO sobre o assunto, o PCP não respondeu até à publicação deste artigo, mas o secretário-geral Jerónimo de Sousa já se referiu à questão, num comício, que teve lugar há duas semanas em Vila Real de Santo António.

Não se faz a Festa para garantir o privilégio ou ganhos financeiros, como caluniosamente se insinua. A Festa, no contexto político excecional que vivemos, tem uma importância e valor acrescido na afirmação da nossa vida democrática e o seu êxito será um contributo para a luta do nosso povo, para combater o medo e a resignação”, disse o líder comunista citado pela Rádio Renascença.

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