Bloco de Esquerda pede comissão de inquérito ao Novo Banco

"Não aceitamos que este buraco no Novo Banco seja inevitável e que tenha de ser pago pelos contribuintes", disse a deputada Mariana Mortágua,

O Bloco de Esquerda vai propor uma nova comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco. A deputada Mariana Mortágua anunciou esta quarta-feira a intenção após ter sido concluída a auditoria da Deloitte. Disse ainda que o partido quer conhecer a auditoria que o Banco de Portugal tem sobre a venda do banco em 2017.

“Não queremos repetir a auditoria que já foi feita ao BES. Esta comissão de inquérito deverá centrar-se sobretudo no que não foi alvo de investigação na última comissão de inquérito“, explicou Mortágua, em declarações transmitidas pela SIC Notícias. Por um lado, o partido quer analisar o processo de resolução do Banco Espírito Santo e, por outro, perceber as condições de venda ao Lone Star.

Para isso, considera essencial ter acesso ao relatório interno sobre a resolução que está no poder do Banco de Portugal, mas o governador Mário Centeno recusou o pedido. “Quero dizer ao sr. governador do BdP que o BE não aceita esta resposta e vai tentar por todos os meios obter este documento que é essencial para apurar as responsabilidades do Banco de Portugal e para compreender as perdas que hoje todos os contribuintes estão a pagar”, apontou Mariana Mortágua.

Além deste relatório, o BE criticou também a auditoria da Deloitte, que considera não cumprir o objetivo de ser um mecanismo parar apurar responsabilidades sobre a gestão do Novo Banco depois da venda ao Lone Star.

“A auditoria da Deloitte, tendo algumas informações sobretudo sobre a carteira de crédito do NB, não nos permite apurar a gestão atual do Novo Banco, nomeadamente no que diz respeito à venda de carteiras de crédito que, como todos sabemos e já foi tornado público, foram feitas com enormes descontos. A auditoria é descritiva e não crítica. Não vai fundo e não tira conclusões sobre conflitos de interesses, sobre vendas a partes relacionadas ainda com relações ainda que distantes de propriedade ou sobre o preço de venda e alternativas de venda”, diz.

A auditoria da Deloitte aos atos de gestão do BES/Novo Banco refere-se ao período entre 2000 e 2018 (ou seja, abarcando quer o período antes quer depois da resolução do BES e criação do Novo Banco), decorre desde o ano passado e deveria ter ficado concluída em julho, tendo sido entregue ao Governo esta segunda-feira. As informações divulgadas pelo Governo (já que o documento não é público) revelam perdas líquidas de 4.042 milhões de euros.

“Consideramos que o Parlamento não tem dois elementos essenciais: a auditoria à resolução feita pelo próprio BdP e a auditoria da Deloitte”, diz a deputada sobre a razão para pedir a comissão de inquérito. “Queremos apurar responsabilidades porque não desistimos de proteger o interesse público. Não aceitamos que este buraco no Novo Banco seja inevitável e que tenha de ser pago pelos contribuintes“, acrescenta.

(Notícia atualizada às 13h00)

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