BRANDS' PESSOAS A importância da resiliência em tempos de crise

  • BRANDS' PESSOAS
  • 7 Setembro 2020

Patrícia Vicente, Manager EY, People Advisory Services, partilha os segredos das pessoas resilientes e de que forma as empresas podem promover um ambiente propício ao desenvolvimento desta capacidade.

Re.si.li.ên.ci.a. Do latim resilientĭa, particípio presente neutro plural de resilīre, «saltar para trás; recusar vivamente». Em psicologia significa a capacidade de reagir a trauma ou dificuldade, sem perda do equilíbrio emocional.

Iniciámos 2020 com grande otimismo para um novo ano, uma nova década e uma nova oportunidade de crescer, com a esperança de que, com uma mudança de ciclo, se avizinhassem bons tempos. Rapidamente o mundo percebeu que este era um ano atípico, de desafios e instabilidade, com um período de incerteza e de inconsistência que nos invadiu com a chegada de um novo vírus. Com o coronavírus, as pessoas e as organizações viram a sua capacidade de resiliência colocada à prova.

A resiliência é a capacidade que cada pessoa tem para lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – como o stresse ou uma situação traumática. Ou seja, é evidenciada em situações ou contextos críticos ou de crise.

Já nos anos anteriores, sem ainda imaginarmos o que nos iria invadir no ano seguinte, a resiliência era uma competência crítica para as organizações, pois estas reconheciam a sua importância na gestão dos desafios diários do negócio e das operações. Quando as organizações perceberam que inesperadamente precisavam de rever metodologias de trabalho, criar novas estratégias de negócio assentes em trabalho remoto, manter a produtividade e garantir a capacidade de resposta rápida, a resiliência, a energia e o foco tiveram de sobressair para dar resposta a estas necessidades.

"A resiliência segue de mãos dadas com a visão positiva e a esperança, mesmo em alturas em que tudo possa parecer mais difícil.”

Patrícia Vicente

Manager EY, People Advisory Services

Não só a resiliência das empresas e das suas lideranças, mas também das pessoas que delas fazem parte. Não nos podemos esquecer que estas mudanças e adaptações vão continuar a existir nas empresas, em resposta às necessidades e ao contexto que assistimos, mas também para o necessário processo de recuperação económica, para fazer crescer as organizações e promover a capacidade de negócio e de entrega. Neste sentido, cabe às empresas acompanhar, desenvolver e estimular atitudes resilientes nas suas pessoas e cabe também a estas procurar adotar técnicas e ganhar robustez para gerir as adversidades.

Lucy Hone, especialista em resiliência, partilhou no TEDx 2019 em Christchurch, na Nova Zelândia, três segredos das pessoas resilientes:

  • Entendem os problemas e situações como parte da experiência do seu percurso;
  • Decidem onde colocar a atenção – entre o que é positivo e o que é negativo – foco no que se pode mudar e aceitar o que não está ao seu alcance;
  • Compreender se o que estão a fazer a ajuda ou prejudica – essencial na tomada de decisão e na mudança de atitude.

É exatamente de uma mudança de atitude que se trata. Um trabalho contínuo de foco e energia, naquilo que podemos trabalhar e em como devemos ver de forma positiva as situações que surgem, mesmo que inicialmente estas não revelem perspetivas minimamente otimistas.

Naturalmente, cabe às empresas promover um ambiente propício e que estimule este tipo de atitude, assente na criatividade, na colaboração e na inovação, e que simultaneamente conceda segurança a uma postura mais resiliente das suas pessoas, mesmo naquelas nas quais a resiliência é uma competência a desenvolver.

"As pessoas compreenderam que a vida pessoal e profissional não têm de estar necessariamente distantes, só têm de aprender a organizá-las, para garantir que estamos presentes em ambas com equilíbrio e entrega, mesmo em situações inesperadas.”

Patrícia Vicente

Manager EY, People Advisory Services

A resiliência segue de mãos dadas com a visão positiva e a esperança, mesmo em alturas em que tudo possa parecer mais difícil. Em momentos de crise, cabe aos líderes assumir o papel de coach e trabalhar a nível individual e com as suas equipas, nomeadamente com aqueles que possam estar mais “perdidos” e a ter maiores dificuldades em seguir o caminho de um futuro expectante. Nestas alturas, mais do que nunca, as empresas precisam das suas equipas para prosperar – e os líderes têm um papel fundamental a desempenhar.

Vivemos numa sociedade de constante imprevisibilidade. Em 2020 o mundo percebeu que nada é garantido. As empresas aprenderam que o planeamento e a mudança fazem parte do dia-a-dia e que é melhor adotá-los do que lutar contra eles. As pessoas compreenderam que a vida pessoal e profissional não têm de estar necessariamente distantes, só têm de aprender a organizá-las, para garantir que estamos presentes em ambas com equilíbrio e entrega, mesmo em situações inesperadas.

De forma resiliente, o caminho é seguramente mais fácil.

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