Trump ou Biden? Google deixa de sugerir pesquisas para não interferir

A internet tem cada vez mais um papel importante para o exercício da democracia. Com as eleições dos EUA "à porta", a Google vai parar de sugerir pesquisas que beneficiem candidatos políticos.

Com as eleições presidenciais do Estados Unidos da América “à porta”, a Google quer evitar a todo o custo qualquer interferência, como aquela que aconteceu nas eleições de 2016. Por isso, a gigante tecnológica está a fazer alterações nas sugestões de pesquisa de preenchimento automático.

O recurso ao preenchimento automático da Google tenta prever o que os utilizadores estão à procura com base no que foi preenchido até então. Deste modo, esta ferramenta baseia-se na popularidade, bem como no que outras pessoas já pesquisaram.

A pouco menos de dois meses para as eleições presidenciais dos EUA, que vão colocar “frente-a-frente” Donald Trump, atual presidente dos EUA e na corrida pelos republicanos, e Joe Biden, pelos democratas, a Google quer evitar qualquer interferência neste processo eleitoral. Nesse sentido, o motor de busca vai remover todas as sugestões que possam ser vistas como qualquer tipo de endossamento ou oposição aos partidos políticos e respetivos candidatos, revela a empresa, em comunicado.

“Queremos ser muito cuidadosos com o tipo de informação que destacamos no recurso de pesquisa devido ao seu destaque. Dada a preocupação em relação às eleições e às informações eleitorais, quereremos ser particularmente conservadores”, justificou David Graff, responsável da Google por políticas globais, citado pela CNN (acesso livre, conteúdo em inglês).

Além disso, também vai eliminar as previsões de preenchimento automático relacionadas com informações sobre o processo eleitoral, nomeadamente métodos de votação, requisitos ou os locais de votação. Face a esta alteração frases como “pode votar por telefone” ou “não pode votar por telefone”, deixarão de aparecer nas sugestões.

Apesar de a Google não adiantar se esta decisão é momentânea ou definitiva, a tecnológica garantiu que nenhum resultado de pesquisa será removido. Assim, cada pessoa vai continuar a conseguir procurar normalmente informação sobre cada candidato. Contudo, sugestões aparentemente inócuas também poderão ser abolidas, em resultado da mudança de política.

As eleições norte-americanas estão agendadas para 3 de novembro de 2020 e vão opor Donald Trump a Joe Biden. As últimas eleições presidenciais ficaram marcadas por ter sido provado a interferência russa no escrutínio presidencial de 2016, ditando a nomeação de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos em oposição a Hillary Clinton. Também o Facebook foi muito criticado por não ter antecipado a ingerência russa, pelo que anunciou um plano para “proteger o processo democrático”.

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