Queixa da OCC contra os bancos está fechada. Segue esta semana para a PGR

"Continua a haver pressão. Continuam a chegar queixas" à OCC de pressão dos bancos para que se facilite o acesso das empresas à linha de crédito garantida pelo Estado. "Temos a queixa concluída".

A Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) já tem pronta a queixa contra os bancos por causa das pressões que têm vindo a fazer sobre os profissionais para que permitam que as empresas acedam indevidamente às linhas de crédito com garantia do Estado. Paula Franco diz que a queixa segue esta semana para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Infelizmente, continua. Continua a haver pressão [para que os contabilistas ajudem as empresas a conseguirem aceder à linha de crédito de mil milhões de euros para micro e pequenas empresas]. Continuam a chegar queixas” à OCC, diz a Bastonária da Ordem em entrevista ao “Tudo é economia” da RTP3. “Esta semana [a queixa] vai para o Ministério Público. Temos a queixa concluída”, disse.

“A questão aqui é que é preciso cumprir critérios” para aceder a esta linha de crédito. “E se esses critérios existem, têm de ser cumpridos”, atirou a responsável. Estas pressões, que tinham já sido denunciadas por Paula Franco em meados de agosto, são um “incentivo à fraude”.

Questionada sobre quem exerce essa pressão sobre os contabilistas, Paula Franco aponta o dedo para o setor financeiro como um todo, não apenas aos gestores de conta, nos balcões. O “facto de haver tanta pressão, tão generalizada… leva-me a acreditar que há um movimento maior, não apenas do gestor de conta”, atirou.

"Alterar resultados para que os empresários consigam alguma coisa não é ajudá-los. É levá-los a que caiam mais depressa.”

Paula Franco

Bastonária da OCC

Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novo Banco, Santander Totta, BPI e Banco Montepio, questionados pelo ECO, afirmaram não ter conhecimento deste tipo de comportamentos nos seus balcões. Paula Franco, confrontada com este afastar de suspeitas por parte dos bancos, lembrou que os “bancos não provaram que não havia situações destas”.

Confrontada com a possibilidade de existirem também contabilistas que falsificação contas para que as empresas possam aceder a estes créditos garantidos pelo Estado, Paula Franco afastou essa possibilidade. Os “contabilistas têm de ser idóneos. Não cedem a pressões”, diz. “Alterar resultados para que os empresários consigam alguma coisa não é ajudá-los. É levá-los a que caiam mais depressa. Não é uma ajuda. Estamos a prejudicá-los porque pode levá-los a uma situação de insolvência”, alertou.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Queixa da OCC contra os bancos está fechada. Segue esta semana para a PGR

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião