Pandemia já provocou despedimentos em 40% dos bares e restaurantes

Os efeitos da pandemia no setor da restauração e da hotelaria são notórias: quase metade das empresas já despediu trabalhadores desde março. Muitas admitem avançar para insolvência.

Os impactos da pandemia no setor da hotelaria e da restauração são bem conhecidos. Mas, à medida que o tempo passa, os efeitos vão sendo maiores. Cerca de meio ano depois de ter aparecido, o coronavírus já provocou despedimentos em quase metade dos restaurantes e bares e em um quarto dos estabelecimentos hoteleiros.

As conclusões são da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que, através de um inquérito ao setor, afirma que as empresas estão “desesperadas e sem soluções à vista para evitar despedimentos e insolvências em massa”. É por isso que a associação setorial pede medidas de apoio como a redução temporária do IVA e o financiamento não reembolsável para reforço da tesouraria.

O mesmo inquérito concluiu, assim, que cerca de 32% das empresas de restauração e bebidas ponderam avançar para insolvência, uma vez que “as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar os encargos habituais para o normal funcionamento da sua atividade”.

Em setembro a faturação foi “devastadora”, diz a AHRESP, que fala em quebras acima dos 40%. Nos meses de verão o cenário foi ainda pior: mais de 31% das empresas viu as receitas caírem entre os 50% e os 75%, enquanto cerca de 29% observou mesmo descidas acima dos 75%.

Para os funcionários as consequências não tardaram. Perante estas quebras na receita, cerca de 9% das empresas não conseguiu pagar os salários em setembro, enquanto 13% apenas o fez parcialmente. Mas os efeitos são ainda mais notórias, refere a associação. 40% das empresas despediu pessoas desde o início da pandemia, enquanto apenas cerca de 18% se diz capaz de manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

Daqui para a frente, 93% das empresas considera que as atuais medidas criadas pelo Governo para apoiar o setor não são adequadas para a sobrevivência dos negócios.

18% dos alojamentos turísticos ficaram vazios em setembro

As mesmas consequências foram sentidas no setor do alojamento turístico, com 18% das empresas a não observar qualquer ocupação durante o mês de setembro, enquanto mais de 19% indicou uma ocupação máxima de apenas 10%, refere a AHRESP. O mesmo inquérito mostrou mesmo que mais de 28% dessas entidades viram descidas de 90% na taxa de ocupação quando comparado com o ano passado.

Durante o verão, a faturação caiu mais de 75% em cerca de 50% das empresas do setor. E para outubro o cenário é igualmente negativo: cerca de 29% das empresas estima uma taxa de ocupação nula no décimo mês do ano, enquanto apenas 29% estima uma taxa máxima de 10%. “Para os meses de novembro e dezembro a estimativa de ocupação zero agrava-se substancialmente, sendo referida por cerca de 50% das empresas”, refere a AHRESP.

Face a estas perdas, 14% das empresas pondera avançar para insolvência, enquanto mais de 16% não conseguiu pagar os salários em setembro. No que diz respeito aos trabalhadores, 25% das entidades já despediram pessoas desde o início da pandemia no país, enquanto apenas 15% admite ser capaz de manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

Assim como no setor da restauração, também 86% do mercado de alojamento turístico defende que as medidas criadas pelo Governo não são adequadas.

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