Restauração quer esplanadas cobertas no inverno e “mordomo” a fiscalizar regras

  • Lusa
  • 27 Setembro 2020

A Associação Nacional de Restaurantes PRO.VAR pede um reforço na fiscalização das regras de segurança contra a pandemia, dado que nos últimos dias "existiram episódios de incumprimento".

A Associação Nacional de Restaurantes PRO.VAR pediu este domingo ao Governo a criação da figura de “mordomo” para ajudar na manutenção das regras de segurança contra a pandemia no setor. Além disso, enviou também um pedido urgente a todas as câmaras municipais para que autorizem a utilização de “esplanadas cobertas” no sentido de poderem enfrentar as condições climatéricas do inverno.

“O que estamos a pedir ao Governo é que incluam no Adaptar 2.0 uma verba para complemento de salário para que se crie um responsável dedicado nos restaurantes, um ‘mordomo’, alguém que possa assegurar que os procedimentos estão a ser cumpridos”, avançou Daniel Serra, presidente da PRO.VAR, em entrevista à Lusa, acrescentando que a associação defende que esse “item” seja incluído numa nova versão do selo “Clean&Safe”.

O programa Adaptar 2.0 vai disponibilizar mais 50 milhões de euros para auxiliar e estimular micro e pequenas e médias empresas (PME) dos setores secundário e terciário a atualizar e remodelar os seus estabelecimentos e unidades de produção, modernizando-os e adaptando-os no atual contexto de pandemia. “Não queremos que pague o justo pelo pecador, alguns restaurantes ignoram as regras e outros cumprem-nas com rigor“, explicou.

Segundo o responsável, logo depois de Graça Freitas ter dito recentemente que existiam surtos em restaurantes da Povoa de Varzim e Vila do Conde, “centenas de restaurantes dessa região” foram prejudicados. Para “prevenir e não remediar”, a associação nacional de restaurantes defende que se tem de “endurecer agora, com mais vigilância e fiscalização para ganhar o futuro”.

“Seria importante que o Governo permitisse que fosse elegível no Adaptar, que em breve será disponibilizado, uma verba para complemento de salário, que poderia ser de 1/3 do valor do salário bruto e que tivesse a duração de pelo menos seis meses, período que se prevê maior pico da pandemia. Acho que nenhum país adotou esta medida, é uma ideia da PRO.VAR já apresentada ao Governo e que esperamos que venha ser aceite”, acrescenta.

A associação apela também ao Governo para que haja “um reforço da fiscalização, seja pela ASAE, PSP, GNR ou Polícia Municipal”. “O setor não quer voltar a correr o risco de reduzir horários e muito menos encerrar. O que queremos é ter a garantia que se cumprem as regras”, concluiu.

Pedem às 308 autarquias autorização para esplanadas cobertas no inverno

A PRO.VAR enviou também este domingo pedidos urgentes às “308 câmaras municipais, para que permitam a utilização de ‘esplanadas cobertas'”, avançou o presidente da associação.

“O regresso do inverno, no contexto da pandemia, acrescentou problemas ao setor da restauração, o crescimento do número de infetados e o impedimento do uso das esplanadas, por questões climatéricas, reduziu a lotação dos espaços para metade e coloca todo um setor sobre grande pressão”, observou Daniel Serra, afirmando acreditar que a cobertura das esplanadas pode minorar o “risco de incumprimento dos clientes” e dos “empresários da restauração”.

O responsável referiu que o setor da restauração não pode ignorar que, nos últimos dias, “existiram episódios de incumprimento” que colocaram pessoas em risco e afetaram a confiança”, e por essa razão a PRO.VAR pede que não se “poupe esforços” e apela ao Governo e às câmaras municipais que procurem “reforçar a fiscalização no terreno”.

“Torna-se imperativo que se encontrem soluções para garantir que a restauração opere na máxima segurança, protegendo a saúde púbica e tenham por sua vez, a viabilidade”, defende.

A PRO.VAR nasceu em 2014 como uma organização de “caráter moderno e inovador, que pretende assumir a figura legal de uma associação com vista à promoção, inovação e defesa do setor específico da restauração, desenvolvendo e planeando as suas atividades de acordo com linhas orientadoras modernas”, lê-se no site. Como missão diz pretender assumir um protagonismo complementar e não concorrente às associações do setor.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Restauração quer esplanadas cobertas no inverno e “mordomo” a fiscalizar regras

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião