Verão não aqueceu o suficiente. 38% dos restaurantes ponderam avançar para insolvência, diz AHRESP

14% das empresas já avançaram com despedimentos desde o início do estado de emergência, e mais de 24% assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

Cerca de 38% das empresas de restauração e bebidas e de 16% do alojamento turístico ponderam avançar para insolvência, revela o último inquérito mensal da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), divulgado na sexta-feira.

“Na restauração e bebidas, mais de 38% das empresas ponderam avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar os encargos habituais para o normal funcionamento da sua atividade”, lê-se no comunicado emitido pela entidade. “Para as empresas inquiridas, a faturação do mês de agosto foi devastadora, com 70% das empresas a registarem quebras homólogas de faturação acima dos 40%”, acrescenta o mesmo inquérito.

No inquérito mensal anterior, publicado pela AHRESP no início de agosto, o número de empresas do ramo que tencionava avançar para insolvência era de 43%. Os 38% agora registados são um regresso aos valores de julho.

Segundo a associação, o inquérito à atividade turística revela “uma situação dramática para as empresas da restauração e bebidas e do alojamento turístico, que se irá agravar significativamente com a diminuição das férias dos portugueses e a menor utilização de esplanadas com o aproximar do outono”. Os dados revelam também que “mais de 9% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em agosto e 10% só o fez parcialmente”.

Com esta realidade, 14% das empresas já avançaram com despedimentos desde o início do estado de emergência, e mais de 24% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

No alojamento turístico, cerca de 16% das empresas inquiridas assumiram “avançar para insolvência”, “por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade”, um valor idêntico Às que admitem não conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano. O inquérito revela que em agosto, 12% das empresas não registaram qualquer ocupação e mais de 16% indicou uma ocupação máxima de 10%.

O mês de setembro não augura melhores resultados já que 24% das empresas não esperam uma taxa de ocupação acima dos 10%, e mais de 17% das empresas perspetivam uma ocupação zero, isto apesar de Portugal ter sido incluído no corredor aéreo do Reino Unido, um mercado emissor muito importante para o turismo em Portugal, em especial no Algarve.

Em agosto mais de 19% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários e 8% só o fez parcialmente, um reflexo do facto de 22% das empresas inquiridas revelarem uma quebra homóloga superior a 90% na taxa de ocupação.

“Estes resultados nacionais, quer da restauração e bebidas, quer do alojamento turístico, não evidenciam diferenças muito significativas entre as várias regiões” do país, sublinha o mesmo comunicado da AHRESP.

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