Hotelaria quer TAP à escala do turismo nacional e “que sirva o país”

  • Lusa
  • 21 Outubro 2020

Nos últimos anos, com a gestão privada, objetivo da TAP “não era tanto servir o país turístico”, mas mais atingir objetivos de resultados, “que, afinal, foram negativos”.

O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal(AHP) disse à Lusa que o setor deseja, no âmbito da reestruturação da TAP, uma companhia aérea dimensionada à escala do turismo nacional, “rentável e que sirva o país”.

Em entrevista à agência Lusa, Raul Martins afirmou que o que a AHP quer para a TAP “é que seja rentável e que sirva o país”, sublinhando, porém, não querer uma TAP “pequenina”, mas sim “dimensionada à escala daquele que seja o turismo nacional”.

O presidente da AHP defendeu que o desenvolvimento da transportadora aérea nos últimos anos, com a gestão privada, “não era tanto servir o país turístico”, mas mais atingir objetivos de resultados, “que, afinal, foram negativos”.

No entanto, o responsável apontou que, dentro das opções da gestão anterior da TAP, a aposta no mercado dos Estados Unidos da América “foi um aspeto muito positivo”.

“É certo que esta nova administração da TAP que vier a ser concretizada o fará [a aposta no mercado americano], porque ela é, em termos financeiros, benéfica para a TAP, mas também é benéfica para o país, sendo certo que as rotas da América e do Brasil, em especial, não têm muita concorrência das low cost [companhias de baixo custo]”, acrescentou.

Em relação à operação da companhia aérea no Porto, Raul Martins disse não compreender como é que aquela cidade foi colocada numa “situação de segunda opção” e entende que reduzir as ligações com o Porto foi uma decisão “pouco curial”.

“O Porto cresceu imenso em termos turísticos nos últimos anos, cresceu mais do que Lisboa, em percentagem”, sublinhou.

Porém, o presidente da AHP disse ter informação de que está a ser feito um levantamento pela TAP das necessidades do Porto em termos de operação – bem como da Madeira e dos Açores -, no âmbito do plano de reestruturação a apresentar à Comissão Europeia, que “vai fazer com que o Porto volte a ter a importância que deve em termos turísticos”.

“O facto de haver muitas low cost a operar com muita intensidade para o Porto, ou para o Algarve, não quer dizer que a TAP não tenha a sua quota e o seu mercado, não só dos portugueses que se querem deslocar, mas também dos turistas que vêm para o norte”, acrescentou.

Numa audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, em 15 de outubro, no parlamento, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, disse que as quatro rotas criadas no aeroporto do Porto, para Amesterdão, Milão, Zurique e Ponta Delgada estão com “46% da lotação em média” e são “neste momento um prejuízo para a TAP”.

O ministro revelou ainda que está a ser estudado o reforço da frota da TAP Express/Portugalia, para operar, a partir de Porto e Faro, para outros aeroportos da Europa, em “ligações ponto a ponto”, para tentar que a TAP seja “mais competitiva”, nomeadamente face às companhias aéreas low cost.

Em 02 de julho, o Governo anunciou que tinha chegado a acordo com os acionistas privados da TAP, passando a deter 72,5% do capital da companhia aérea, por 55 milhões de euros.

A Comissão Europeia aprovou em 10 de junho um “auxílio de emergência português” à companhia aérea TAP, um apoio estatal de até 1.200 milhões de euros para responder às “necessidades imediatas de liquidez” com condições predeterminadas para o seu reembolso, entre os quais a apresentação de um plano de reestruturação até meio de dezembro.

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