“O tempo das autoestradas terminou”, diz Pedro Nuno Santos. Portugal aposta na ferrovia

Recordando os anos em que a ferrovia foi esquecida em Portugal, o ministro das Infraestruturas avisa que esta será a forte aposta nos próximos anos, prevalecendo sobre a rodovia.

O ministro das Infraestruturas afirma que “o tempo das autoestradas terminou”, referindo-se ao investimento de mais de dez mil milhões de euros que o Estado vai fazer na ferrovia até 2030. Pedro Nuno Santos detalhou a aposta que vai ser feita na ferrovia, sublinhando que este setor é hoje uma prioridade europeia e que, num país como Portugal, “a importância da ferrovia é ainda maior”.

“A ferrovia é hoje uma prioridade europeia, mas em Portugal não temos o melhor histórico”, começou por dizer o ministro esta quinta-feira, durante a apresentação do Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030. “Durante décadas achou-se que a ferrovia era passado. Mas o que torna mais estranha esta falta de aposta nacional são as mais-valias que a ferrovia pode dar”, continuou.

Referindo que “a importância da ferrovia para um país como o nosso é ainda maior”, Pedro Nuno Santos afirmou que “o tempo das autoestradas em Portugal terminou” e que a aposta nos próximos anos será realmente a ferrovia. “A substituição do automóvel permitirá ao país ficar menos dependente das importações. A ferrovia dá um contributo muito considerável”, acrescentou.

Na mesma sessão, o ministro adiantou que as ligações Porto-Lisboa e Porto-Vigo serão as prioridades. Para isso, está prevista a redução do tempo de viagem entre as duas principais cidades do país: viajar de comboio entre o Porto e Lisboa demorará apenas 1h15, menos do que as 2h50 atuais. Um investimento de 4.500 milhões de euros, de acordo com o PNI2030.

“É uma revolução na forma como o país se relaciona”, disse Pedro Nuno Santos, referindo, contudo, que esta é uma “linha cara e altamente dispendiosa, mas que tem um contributo relevante” para o país. Esta linha vai também permitir ligar Lisboa e Leiria em apenas 35 minutos.

Já quanto à ligação entre Porto e Vigo, o ministro notou que a Galiza é “uma região de Espanha com quem Portugal tem fortes ligações”. Atualmente, viajar de comboio entre o Porto e Vigo demora 2h30, mas passará a demorar apenas 55 minutos. A primeira fase de criação desta linha passa pela ligação de Braga a Vigo, que levará 35 minutos de viagem.

Pedro Nuno Santos destacou ainda a aquisição inicial de 129 comboios — 62 urbanos, 55 regionais e 12 de longo curso –, num investimento de 1.120 milhões de euros (que chegará aos 1.715 milhões com a compra total de 179 comboios), que permitirão “substituir material obsoleto e aumentar a oferta”. “De nada nos serve ter linhas de comboio se não tivermos os comboios. Este é outro drama nacional: deixámos de investir em material circulante. O país tem problemas graves em termos de material circulante”, disse.

Outro dos investimentos que será feito na ferrovia, e que o ministro destacou, é o prolongamento da via quádrupla entre Roma-Areeiro e Braço de Prata, que vai permitir “duplicar a capacidade da linha de Sintra”.

(Notícia atualizada às 16h56 com mais informação)

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