Pandemia reduz lucro do Bankinter para metade. Portugal dá 33 milhões

Banco espanhol viu o lucro cair 50% para 220 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, devido ao registo de provisões. Negócio português contribuiu com resultado de 33 milhões.

Ainda que tenha registado um crescimento do negócio, o Bankinter viu o lucro cair para metade nos primeiros nove meses do ano. O banco espanhol atingiu um resultado líquido de 220 milhões de euros até setembro, impactado pelas “fortes provisões” para fazer face à crise. A operação em Portugal contribuiu com 33 milhões de euros, menos 36% face ao mesmo período do ano passado.

“São resultados francamente bons”, destacou a presidente do banco, María Dolores Dancausa, na apresentação dos resultados. “São menores do que estamos habituados, mas os tempos mudaram. Ainda há enorme incerteza. Ainda assim, os resultados são satisfatórios”, acrescentou.

O Bankinter explica que, para suportar o impacto da crise provocada pela pandemia, soma já 243,5 milhões de euros em provisões para responder a um aumento do incumprimento no crédito, depois dos 50 milhões de provisões registados no terceiro trimestre. O banco não conta fazer mais provisões este ano, apesar da incerteza. “Ao dia de hoje não prevemos fazer mais reforço de provisões até final do ano. Vamos esperar para ver se as previsões para a economia não mudam”, disse o diretor financeiro do Bankinter, Jacobo Diaz.

O reforço das provisões ajuda a explicar, juntamente com a ausência das receitas extraordinárias de 2019, o facto de o resultado antes de impostos da atividade bancária, que é apresentado separadamente da Línea Directa Aseguradora, ter afundado quase 70% para 153,3 milhões de euros até setembro.

Sem contar com as provisões nem as receitas extraordinárias de 2019, o resultado da atividade bancária recorrente desce apenas 7,6%.

Com a Línea Directa a registar um lucro antes de impostos de 132,9 milhões de euros, mais 22,9% do que há um ano, o grupo Bankinter viu assim o resultado líquido cair 50,5% para 220,1 milhões até setembro.

Apesar da quebra nos resultados, o banco liderado por María Dolores Dancausa diz manter rácios de capital confortáveis, “muito acima do mínimo exigido pelo BCE”. O rácio de morosidade no crédito também melhorou (rácio de 2,51%), assim como a cobertura do crédito malparado (rácio de 61,7%).

No que diz respeito ao negócio, o Bankinter diz que se manteve “a bom nível neste período tão complicado”. A margem financeira aumentou 8% para 927 milhões de euros, “maioritariamente devido aos maiores volumes de crédito”.

O total de crédito a clientes ascende a 63.344 milhões de euros, mais 6,7%. O aumento do crédito deve-se sobretudo ao segmento empresas, dado que houve uma contração no crédito para a compra de casa e no crédito ao consumo. Por seu lado, os recursos de clientes de retalho aumentaram 9,6% para 62.639 milhões.

O banco alcançou pela primeira vez uma maior proporção de depósitos do que de créditos, atingindo um rácio de de 101,3%.

O negócio do Bankinter Portugal também se manteve a “bom ritmo”, com o banco a destacar o crescimento de 10% na margem financeira. As provisões do banco liderado por Alberto Ramos ascenderam a oito milhões de euros.

“O comportamento em Portugal foi muito positivo”, destacou Dolores Dancausa, sublinhando que o banco está mais eficiente por duas razões: já se desfez de carteiras de malparado e já se estruturou internamente. Os gastos em Portugal caíram 8% para 51 milhões.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h22 com declarações do Bankinter)

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