“Green bonds continuam em estudo. Há muitos investidores interessados”, garante João Nuno Mendes

João Nuno Mendes diz, em entrevista ao ECO, que as obrigações verdes continuam nos planos do Governo, especialmente depois do sucesso das social bonds da UE.

Portugal tem as green bonds entre as opções de financiamento, apesar de ainda não ter decidido avançar com uma emissão destes títulos de dívida, que servem primordialmente para pagar projetos verdes. Em entrevista ao ECO, o Secretário de Estado das Finanças, João Nuno Mendes, explica que há interesse de investidores e que o país poderá aproveitar o incentivo da União Europeia.

“O dossiê das green bonds continua em estudo pelo IGCP. Há, aliás, muitos investidores interessados, portanto, é uma matéria sobre a qual vamos dedicar atenção, o IGCP e o Ministério das Finanças“, diz o governante. “É importante também para nós conhecer as evoluções que na União Europeia vão acontecer do ponto de vista da criação de standards de green bonds, mas neste momento não temos uma decisão. É uma matéria que ainda está em estudo, mas a nossa perspetiva é de acompanhar essa inovação dos mercados financeiros e a extraordinária apetência que os investidores demonstram por criar nas suas carteiras de investimentos a dimensão da sustentabilidade”.

Era ainda 2017 quando o então ministro das Finanças Mário Centeno lançou a ideia de uma emissão de dívida pública verde. Permitiria diversificar fontes de financiamento e conseguir juros mais vantajosos de investidores à procura de comprar neste mercado ainda limitado, mas o projeto acabou por ficar na gaveta. A equipa do sucessor João Leão irá recuperar a ideia, de acordo com o secretário de Estado.

João Nuno Mendes explica que a sustentabilidade de fazer parte de “zonas periféricas dos portefólios”, passando a ser mainstream para os investidores e uma forma de as instituições financeiras se distinguirem junto dos clientes. “Essa é uma matéria à qual temos de dedicar grande atenção e sabemos o empenho que está a ser feito em termos de concretizar o Green Deal, que coloca a Europa na vanguarda das conquistas ambientais”, aponta.

Enquanto não avança com as green bonds, Portugal vai beneficiar das irmãs social bonds emitidas pela União Europeia. Estes títulos, direcionados para financiar projetos com impacto social, foram escolhidos pela instituição europeia para pedir dinheiro aos mercados que irá usar para emprestar aos Estados-membros no âmbito do programa de apoio ao emprego, o SURE. A emissão foi histórica, tendo a UE conseguido um juro negativo e procura recorde.

“As primeiras emissões da União Europeia no âmbito do programa SURE foram muito interessantes, ainda por cima têm o formato de social bonds. Acho que vai ser interessante ver a evolução destas emissões e a forma como os investidores as vão encaixar nos seus portefólios. Vai ser muito interessante ver essa recetividade, refere o Secretário de Estado.

Portugal é um dos 17 países que pediu este apoio. O país pediu 5,9 mil milhões de euros e espera receber, até final do ano, 3 mil milhões. “As social bonds estão a desempenhar, agora no trajeto do último trimestre, um papel muito importante em termos de financiamento da dívida pública portuguesa“, acrescenta o Secretário de Estado, que garante que o Governo ainda não conhece o juro que será cobrado pela UE a Portugal neste empréstimo.

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