Ministério Público investiga Governo e empresas em negócio do hidrogénio. Siza Vieira e Galamba desconhecem caso

PGR confirmou ao ECO a existência de um inquérito a correr no DCIAP: "O mesmo encontra-se em investigação, não tem arguidos constituídos e está em segredo de justiça".

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), órgão do Ministério Público (MP) especializado no combate à criminalidade mais complexa, e a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária (PJ), estão a investigar vários membros do atual Governo. Sob investigação estão o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e o secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, revela a Sábado esta quinta-feira.

Ao ECO, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que “confirma-se apenas a existência de um inquérito a correr termos no DCIAP. O mesmo encontra-se em investigação, não tem arguidos constituídos e está em segredo de justiça”.

Em causa estão os indícios de tráfico de influência e corrupção, entre outros crimes económico-financeiros, relativo a apoios que o Estado vai dar a empresas privadas nos próximos anos por causa do hidrogénio. Em específico, estes governantes são suspeitos de favorecimento do consórcio estabelecido entre a EDP, Galp, REN, Martifer e a dinamarquesa Vestas para desenvolver o projeto de hidrogénio verde em Sines – H2Sines.

Os ex-administradores da EDP, António Mexia e João Manso Neto (EDP Renováveis), o administrador da Galp, Costa Pina, o chairman da Martifer, Carlos Martins e ainda o empresário holandês Marc Rechter, CEO do Resilient Group, são outros dos visados pela investigação em curso. Todos eles garantiram que desconhecem a investigação e garantem que não prometeram vantagens ou exerceram influências ilegais junto de membros do Governo, como Siza Vieira ou Galamba.

Ao ECO, fonte do Ministério da Economia confirmou que “o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital não tem conhecimento de qualquer investigação a que o seu nome esteja associado”.

Por parte do ministério do Ambiente e da Ação Climática, o ECO foi remetido na manhã desta quinta-feira para a explicação já dada à Sábado, dizendo que “desconhece a existência de qualquer processo, investigação ou inquérito relativos ao assunto mencionado”.

Marc Rechter, empresário holandês a viver há várias décadas em Portugal e CEO do Resilient Group (responsável pelo projeto Green Flamingo), que alegadamente também está a sob investigação do Ministério Público, disse em declarações ao ECO que ainda não foi notificado de nada. “Não sei de nada, nunca fiz nada de mal, apenas trouxe a oportunidade do hidrogénio para Portugal. Não tenho nada a recear”, afirmou.

Do lado das empresas, fonte oficial da Galp disse ao ECO que “desconhece o processo em causa, pelo que não tem quaisquer comentários a fazer”. Também a EDP garante que “desconhece a existência de qualquer investigação relacionada com o projeto H2Sines relativo ao desenvolvimento do hidrogénio verde em Portugal”.

Por seu lado, fonte da REN assegura da mesma forma que a empresa não tem conhecimento de nenhuma investigação, sublinhando que tanto o consórcio como o projeto H2Sines estão numa fase preliminar de proposta com vista à candidatura pelo Governo ao estatuto IPCEI junto da Comissão Europeia. O papel da REN no consórcio está sobretudo ligado às redes de gás natural e não tanto à produção de hidrogénio. O ECO questionou também a Martifer, estando a aguardar respostas.

O mega-consórcio H2Sines prevê a instalação de um projeto-piloto de 10MW de eletrólise que poderá evoluir até 1GW de capacidade, com um investimento associado superior a 1,5 mil milhões.

Segundo a revista, a investigação criminal já estará numa fase avançada e terá surgido após uma denúncia recebida pelo Ministério Público no ano passado onde havia alertas para suspeitas de favorecimento de grupos empresariais.

(Notícia atualizada às 11h50)

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