“Precisamos de medidas para aguentar” empresas e trabalhadores, diz Catarina Martins. OE só traz “medidas para a recuperação”

A coordenadora bloquista aponta que, no Orçamento do Estado, o Governo considera "apenas medidas para recuperação", como o programa IVAucher.

A coordenadora do Bloco de Esquerda aponta que “um dos grandes problemas com as medidas do Orçamento do Estado” é que o Governo considera “apenas medidas para recuperação”, como o programa IVAucher. “Precisamos de medidas para aguentar emprego e empresas”, reiterou Catarina Martins.

Quem vai conseguir recuperar é “quem não tiver fechado portas até lá”, aponta a bloquista, apontando que são necessárias “medidas para proteger agora a continuidade” das padarias, cafés e restaurantes, em declarações transmitidas pela RTP 3. “Se o Governo tem disponibilidade para pensar em medidas no plano fiscal, teria mais sentido redução fiscal para já e não apenas para o futuro”, argumenta.

“Precisamos de compreender que a pandemia não acabou, precisamos de medidas para responder à crise”, reforçou Catarina Martins. A crise “está aqui e precisamos de medidas este ano ainda fortes”, nomeadamente que tenham em conta que “em 2021 ainda vamos estar a viver crise”, defendeu a bloquista, apontando para um dos setores mais castigados, o da restauração.

Numa reação aos apoios anunciados pelo Governo para o setor da restauração, a líder do Bloco aponta ainda que estes não deviam ter em conta a comparação com a faturação de 2020 mas sim de 2019, referindo-se ao apoio extraordinário anunciado pelo primeiro-ministro para compensar as perdas dos fins de semana em que foi decretado recolher obrigatório a partir das 13h, nos concelhos de maior risco.

Catarina Martins defendeu ainda que o Governo deveria ter um programa que permita reduzir as rendas destes estabelecimentos tendo em conta a redução da faturação, colocando também a hipótese de apoios para senhorios quando seja necessário. “Embora atividade esteja reduzida a zero estão a pagar rendas a 100%”, apontou a bloquista.

Para além disso, a coordenadora do Bloco apontou que os apoios devem ser simples, senão “não chegam à generalidade das pastelarias, cafés e restaurantes do país”. “A complexidade dos apoios faz com que muitos deles sejam acessíveis apenas para grandes empresas que são minoritárias neste setor e não são necessariamente as que precisam mais”, sublinhou.

(Notícia atualizada às 11h45)

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