À espera do futuro do petróleo, Galp Energia pressiona bolsa de Lisboa

Apesar de a sessão arrancar com notícias sobre os desenvolvimentos da vacina contra a Covid-19 e os estímulos financeiros, o sentimento nas bolsas europeias é, de forma geral, negativo.

O mercado petrolífero está em modo de espera, numa altura em que os maiores produtores do mundo tentam chegar a um acordo conjunto para a estratégia em 2021. Na véspera de o tentarem novamente fazer, a Galp Energia está entre as cotadas que mais cai na bolsa de Lisboa e pressiona o PSI-20.

A petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva chegou a perder 1,8% para 8,924 euros por ação, a acompanhar as perdas na cotação da matéria-prima. O Brent negociado em Londres desvaloriza 0,23% para 47,32 dólares, enquanto o norte-americano crude WTI recua 0,3% para 44,42 dólares por barril.

A pressão acontece depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ter adiado para quinta-feira a decisão sobre a manutenção ou anulação dos cortes à produção de crude a partir de janeiro. O adiamento evidencia as diferenças de opinião no seio do grupo, sendo que da última vez que os líderes Rússia e Arábia Saudita discordaram geraram uma crise no mercado.

Com o peso da Galp Energia, o índice PSI-20 abriu a recuar 0,1% para 4.581,94 pontos, negociando entre ganhos e perdas ligeiras no arranque da sessão. Também o retalho segue em baixa, com a Sonae a cair 0,95% e a Jerónimo Martins 0,43%. O BCP segue inalterado, nos 0,119 euros por ação. Em sentido contrário, a Nos sobe 0,32% para 3,1840 euros.

A família EDP também avança, com a casa-mãe a ganhar 0,81% para 17,52 euros e a eólica EDP Renováveis a subir 1,43% para 4,475 euros. Além de corrigir da queda da última sessão (perante a saída antecipada de António Mexia e João Manso Neto, depois da suspensão do Ministério Público aos dois gestores), reage igualmente à conclusão da venda de um portefólio de ativos em Espanha à Total por um enterprise value de 480 milhões de euros.

Vacina e estímulos não entusiasmam

Apesar de a sessão arrancar com notícias sobre os desenvolvimentos da vacina, o sentimento é de forma geral negativo. O Stoxx 600 perde 0,24%, enquanto o alemão DAX cede 0,31%, o francês CAC 40 recua 0,26% e o espanhol IBEX 35 desliza 0,43%. O britânico FTSE 100 desvaloriza 0,16% mesmo depois de o Reino Unido se ter tornado o primeiro país a aprovar a vacina contra a Covid-19. As autoridades britânicas aprovaram o uso da vacina da Pfizer e BioNTech, que ficará disponível já na próxima semana.

Em simultâneo, há ainda novidades no que diz respeito aos estímulos financeiros para combater o impacto da pandemia. O governador do banco da Letónia Martins Kazaks — que participa no Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) — considerou que um reforço de 500 mil milhões de euros na bazuca do BCE seria “razoável” e que está disposto a apoiar a extensão do programa até meados de 2022.

Nos EUA, os esforços do Congresso em aprovar estímulos orçamentais deram novos passos na terça-feira, com a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, a apresentar uma nova proposta dos Democratas, e o líder do Senado, Mitch McConnell, a lançar uma revisão da proposta dos Republicanos.

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