TAP espera retoma de apenas 46% em 2021. Garante “projeções atualizadas e credíveis”

Mensagem do Conselho de Administração aos trabalhadores clarifica as projeções utilizadas como base para o plano de reestruturação da empresa, que têm sido alvo de críticas pelos sindicatos.

A TAP espera recuperar, no próximo ano, apenas 46% na procura (medida pelo aumento do número de passageiros) para os seus principais mercados, apontando para níveis próximos anteriores à pandemia apenas em 2025. Estes são os dados apresentados pelo Conselho de Administração da companhia aérea, numa mensagem aos trabalhadores a que o ECO teve acesso, na qual rejeita as críticas dos sindicatos de que está a usar projeções desatualizadas.

A recuperação da procura nos mercados relevantes da TAP, mesmo com a vacina, só deverá acontecer perto de 2024, considerando os desafios da produção, distribuição e vacinação, em termos globais, bem como o impacto da pandemia na economia”, dizem Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração, e Ramiro Sequeira, presidente da Comissão Executiva, que assinam a mensagem.

Explicam que a TAP está a usar, na elaboração do plano de reestruturação e de recuperação, projeções atualizadas pelas entidades de referência do setor, nomeadamente a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês), considerando a “maior adequação à realidade operacional da TAP, companhia com modelo de negócio alicerçado na conexão e no longo curso, sem, ainda assim, descurar as projeções da Eurocontrol”.

As projeções da IATA de 24 de novembro, apontam as perspetivas de recuperação da procura para os principais mercados da TAP: tráfego doméstico na Europa e Europa para América do Norte e do Sul, África Subsariana e Norte de África. Há três cenários de recuperação da procura face aos níveis de 2019, sendo que o mais otimista vê a companhia aérea a ultrapassar os 100% já em 2024 e o mais pessimista não vê esse marco a acontecer nos próximos cinco anos.

O cenário base adotado pela TAP no plano é intermédio, no qual se espera uma recuperação da procura de 46% em 2021, seguindo-se um caminho gradual de retoma até 94% dos níveis pré-pandemia em 2025. Este percurso assume que as vacinas contra a Covid-19 serão distribuídas na segunda metade de 2021, apesar de a IATA sublinhar a os desafios de produção e distribuição.

Frasquilho e Sequeira justificam o esclarecimento com “as várias informações que têm surgido referentes às projeções de retoma da procura por parte das entidades de referência da indústria”. Enquanto o plano de reestruturação ainda não é conhecido, têm sido os sindicatos a revelar as linhas gerais: a frota deverá ser reduzida para 88 aviões, o número de trabalhadores diminuído em dois mil (pilotos, comissários e pessoal de terra) e os salários cortados em cerca de 25%.

Os representantes dos trabalhadores têm sido críticos, nomeadamente por considerarem que as medidas têm por base projeções desatualizadas. Ainda esta segunda-feira o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) escreveu ao Governo apelando para que se negoceie com Bruxelas o adiamento da apresentação do plano de reestruturação da TAP (que tem de ser enviado até quinta-feira), denunciando que este está baseado em previsões de mercado “completamente desatualizadas”.

“Para que não restem quaisquer dúvidas, este plano assenta em projeções atualizadas, credíveis e equilibradas, ao abrigo das quais a TAP tem vindo a desenvolver os cenários que entende ser os mais ponderados para ajustar os custos às previsões. Mas, afirmamos, nunca poremos de parte a ambição e a flexibilidade necessárias para acomodar uma eventual retoma da procura, caso esta ocorra antes das previsões”, acrescentam os dois membros do Conselho de Administração aos trabalhadores.

(Notícia atualizada às 20h00)

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