BCE reforça bazuca com mais 500 mil milhões. Compra dívida até março de 2022

Novas medidas, anunciadas esta quinta-feira após reunião do Conselho de Governadores, já eram antecipadas pelo mercado. Instituição financeira irá rever projeções para a economia.

O Banco Central Europeu (BCE) reforçou a bazuca contra a pandemia com mais 500 mil milhões de euros para um total de 1,85 biliões de euros. A decisão, que foi acompanhada de um prolongamento do programa até — pelo menos — março de 2022, foi anunciada esta quinta-feira após reunião do Conselho de Governadores e era já esperada pelo mercado devido ao impacto da segunda vaga do vírus na economia. A expetativa levou os juros da dívida portuguesa a dez anos novamente a negociar em terreno negativo, de -0,031%, durante a manhã.

“O Conselho de Governadores decidiu aumentar o envelope do programa de compras de emergência por pandemia do BCE (PEPP) em 500 mil milhões de euros para um total de 1,85 biliões de euros. Também prolongou o horizonte das compras líquidas no âmbito do PEPP até, pelo menos, o final de março de 2022. E, em qualquer caso, o Conselho de Governadores irá conduzir compras líquidas até considerar que a crise do coronavírus está ultrapassada“, explica o comunicado do BCE.

Depois do período de compras líquidas, o reinvestimento do montante que atinge a maturidade irá durar, pelo menos, até ao fim de 2023. O PEPP acontece em simultâneo com a normal compra de ativos, que decorre a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros e que não tem data para terminar. A única indicação sobre um prazo é que a compra irá terminar apenas “brevemente antes” de o BCE considerar subir taxas de juro.

Estas não sofreram quaisquer alterações e continuam em mínimos históricos. A taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento continua em 0%, enquanto as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão em 0,25% e -0,50%, respetivamente. Com o objetivo de mitigar os efeitos do juro negativo nos depósitos, o BCE tem em vigor um sistema de escalões a aplicar ao “pagamento” dessa taxa.

Banca recebe nova linha de empréstimos de baixo custo

Apesar de a vacina trazer alento sobre o futuro, a presidente Christine Lagarde já tinha alertado para o impacto da segunda vaga do vírus na economia, levando os mercados a antecipar tanto o reforço como o prolongamento do PEPP. Na última reunião, a 29 de outubro, a francesa avançou que o BCE iria reavaliar todos os instrumentos em dezembro. E foi o que fez: além do PEPP, trouxe novidades nas operações de refinanciamento barato dos bancos, as TLTRO.

“O Conselho de Governadores decidiu recalibrar mais as condições da terceira série de longer-term refinancing operations (TLTRO III). Especificamente, decidimos prolongar o período pelo qual os termos consideravelmente mais favoráveis irão aplicar-se, em 12 meses, até junho de 2022″, explica.

Três operações adicionais vão ser conduzidas entre junho e dezembro de 2021, enquanto o total que cada contraparte pode captar foi aumentar para 55% do stock de ativos (do anterior 50%) para os bancos elegíveis. Há ainda alterações ao colateral para tornar a elegibilidade mais flexível. Por último, “o Conselho de Governadores decidiu ainda oferecer quatro pandemic emergency longer-term refinancing operations (PELTROs) adicionais em 2021, que irão continuar a servir como backstop de liquidez”, acrescenta o BCE.

(Notícia atualizada às 13h15)

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