Reino Unido foi o principal destino dos emigrantes em 2019

  • Lusa
  • 21 Dezembro 2020

Em 2019, o Reino Unido foi o país para onde emigraram mais portugueses, seguindo-se Espanha e a Suíça, de acordo com o Relatório da Emigração.

O Reino Unido foi o país para onde emigraram mais portugueses em 2019, cerca de 25.000 das 80.000 saídas de Portugal nesse período, seguindo-se a Espanha e a Suíça, segundo o Relatório da Emigração, divulgado esta segunda-feira em Lisboa.

Elaborado pelo Observatório da Emigração, um centro de investigação do ISCTE -Instituto Universitário de Lisboa, o documento dá conta de uma “estabilização do volume da emigração portuguesa”, indicando que em 2019 terão saído de Portugal cerca de 80.000 portugueses, número semelhante ao ano anterior e ligeiramente inferior aos 85.000 que saíram em 2017.

O relatório, apresentado esta segunda-feira durante uma cerimónia no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, destaca o aumento da emigração para o Reino Unido, “contrariando a tendência decrescente verificada desde 2015”.

Em 2019, o número de entradas de portugueses no Reino Unido totalizou 24.593, mais 30,3% do que em 2018, um aumento que “foi mais marcado do que no conjunto das entradas de migrantes no Reino Unido (+21%)”.

Os autores do relatório sublinham que “a evolução da emigração portuguesa acompanhou a tendência geral de inversão do decréscimo das entradas no Reino Unido em vésperas do Brexit”.

Este crescimento, além de poder incluir alguns casos de regularização de situações de emigração anterior, dever-se-á provavelmente à perceção de que, depois do Brexit, poderá ser mais difícil emigrar para o Reino Unido”, lê-se no documento.

No ano passado, “as entradas de portugueses representaram 3,2% das entradas totais no Reino Unido, o que fez desta emigração a sétima maior para aquele país” que “continua a ser o principal país do mundo para onde mais portugueses emigram”.

No mesmo ano, o número de portugueses emigrados no Reino Unido totalizou 165.000, mais 17% do que em 2018. Em 2000, esse valor era de 34.000, o que representa um crescimento de 385% nesse período.

Apesar de os portugueses serem “uma minoria entre os nascidos no estrangeiro a residir no Reino Unido em 2019, representando apenas 1,7% do total”, no contexto da emigração portuguesa, este país é o terceiro do mundo onde residem mais portugueses emigrados.

O relatório divulgado esta segunda-feira indica que, em 2019, o número de portugueses que adquiriu a nacionalidade britânica totalizou atingiu os 2.227 (mais 16.8% do que em 2018).

“Este aumento pode ser explicado pelo voto positivo na saída do Reino Unido da União Europeia (UE)”, apontam os autores do documento.

Espanha foi o segundo país para onde emigraram mais portugueses no ano passado (10.155), ainda assim com uma diminuição de 4,5% relativamente a 2018.

A tendência de crescimento que se verificava desde 2014 foi interrompida em 2019, voltando o número de entradas de portugueses em Espanha a diminuir, embora o número de entradas totais de estrangeiros continue a aumentar (+14.9%)”.

No terceiro lugar das escolhas dos portugueses para emigrarem está a Suíça, com 8.443 entradas, menos 3.3% do que no ano anterior, sendo o sexto ano consecutivo em que a emigração para a Suíça diminui significativamente, tendo atingido o valor máximo em 2013. O relatório sublinha que o número de portugueses entrados na Suíça não era tão baixo desde 2001.

Para França – o país do mundo com o maior número de portugueses emigrados, devido à grande vaga de emigração dos anos 60/70 – emigraram cerca de 8.000 portugueses, seguindo-se a Alemanha, com 5.785. Ambos os Estados registaram uma diminuição de entradas de portugueses em relação ao ano anterior.

Estes dados confirmam que a emigração portuguesa se mantém “essencialmente realizada no interior do espaço europeu”, tendo em conta que, “dos 23 países de destino mais escolhidos pelos portugueses para emigrar, mais de metade (14) são europeus e de, entre os 10 principais países de destino da emigração portuguesa, apenas dois se localizam noutro continente: Angola e Moçambique”.

Fora da Europa, os principais países de destino da emigração portuguesa integram o espaço da CPLP: Angola (cerca de 2.000 em 2019) e Moçambique (1.000 em 2016).

A emigração portuguesa para Angola desceu significativamente desde 2015: -42% em 2016, -24% em 2017, -36% em 2018 e -11% em 2019.

“Provavelmente, os efeitos recessivos da crise dos preços do petróleo e suas consequências sobre os setores do mercado de trabalho para onde se dirigia a emigração portuguesa terão feito sentir-se em pleno a partir de 2016”, explicam os autores.

As entradas de portugueses no continente americano – Brasil e Estados Unidosaumentaram em 2019.

No Brasil, a emigração portuguesa cresceu 5% e 11,7% em 2018 e 2019, respetivamente. “Este crescimento contraria a tendência de decréscimo das entradas de portugueses em território brasileiro que se registava desde 2014”.

Para os Estados Unidos emigraram no ano passado 940 portugueses, mais 5,7% do que em 2018.

A informação disponibilizada neste relatório aponta ainda para a diminuição da percentagem de portugueses que deixaram Portugal com caráter permanente, superior a um ano.

Em 2019, “do total de portugueses que saíram do país, apenas 37% o fizeram com caráter permanente, sendo, pela primeira vez desde 2011, menos de 30 mil pessoas”. Em 2013, a percentagem de saídas permanentes foi de 42%, correspondendo a mais de 53.000 dos 128.000 nacionais que deixaram Portugal nesse ano.

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