EDP lança projeto ‘Futuro Ativo Sines’ para apoiar região depois de fechar central a carvão

Na opinião do presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, havia margem para que esta central continuasse a laborar por mais algum tempo, até porque o país continua a importar energia”.

A EDP anunciou esta quarta-feira em comunicado que o projeto da empresa para o polo de Sines e para a região após o encerramento da central termoelétrica a carvão inclui apoios à criação de empresas, formação profissional e um estudo de avaliação das oportunidades económicas, em parceria com entidades locais.

Já amanhã, 14 de janeiro, a central de Sines assinala o seu último dia de atividade, após 35 anos em operação. “Sendo a maior central portuguesa, teve um papel estratégico no abastecimento de energia do país e na segurança do sistema elétrico nacional – um contributo que foi diminuindo face à crescente produção de energia a partir de fontes renováveis e que termina agora, em alinhamento com os compromissos de descarbonização e de transição energética da empresa e da economia nacional”, referiu a EDP no mesmo comunicado.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Sines, no distrito de Setúbal, Nuno Mascarenhas, considerou que “face à conjuntura existente” o fecho da central a carvão de Sines “não foi o mais indicado”. “O encerramento desta central no atual momento e face à conjuntura existente não foi o mais indicado e independentemente de as decisões serem políticas ou económicas, julgamos que havia margem para que esta central continuasse a laborar por mais algum tempo, até porque o país continua a importar energia”, frisou o autarca socialista em declarações à Lusa. O fecho do carvão em Sines, devido à transição energética, deixa os cerca de 500 trabalhadores diretos e indiretos “numa situação delicada” para enfrentarem um futuro que dizem ser incerto.

Já a empresa garante que quer “manter a sua ligação a Sines e às comunidades locais com as quais tem colaborado ativamente nas últimas décadas”, sob o mote ‘FAS – Futuro Ativo Sines’. Para isso arrancou com duas frentes de trabalho através das quais pretende desenvolver uma série de iniciativas que possam contribuir para uma reconversão da economia e emprego na região.

A primeira frente de trabalho, diz a elétrica, envolve um estudo prospetivo da economia local, que está a ser feito pela Universidade de Évora em parceria com o Instituto Superior Técnico. Este trabalho de avaliação, que conta com a auscultação de diversas entidades da região, tem como objetivo avaliar e identificar as oportunidades mais dinâmicas para potenciar o desenvolvimento social e económico daquele território. “Pretende-se assim identificar como vai evoluir a economia local, como será a transição de emprego, como se deve valorizar a qualificação profissional, entre outras questões que ajudam a antecipar medidas e propostas com impacto positivo em Sines”, explica a EDP.

Uma segunda frente de trabalho envolve a criação de um Gabinete Local de Encaminhamento Social (GLES), em parceria com a Câmara Municipal de Sines e com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, que pretende, numa fase inicial, dar apoio direto aos trabalhadores da Central de Sines, incluindo os seus agregados familiares, e alargar esse apoio à restante população local numa fase posterior. Este gabinete, que irá funcionar no Sines Tecnopolo, pretende ajudar a encaminhar estas pessoas para oportunidades profissionais, de formação e outras alternativas que possam gerar postos de trabalho.

Este gabinete irá assim funcionar como uma espécie de plataforma a partir da qual se desenvolvem outras medidas incluídas neste projeto ‘Futuro Ativo Sines’. Entre essas medidas está previsto o NAU, programa de apoio ao empreendedorismo, à semelhança do que já tinha sido feito em Sines em 2011 com o programa ‘Semente’. Trata-se de uma incubadora de empresas, que também ficará alojada no Tecnopolo de Sines, e que irá selecionar, apoiar e acelerar projetos de empreendedorismo para pequenos negócios locais. Através do NAU, a EDP pretende mobilizar fundos de seed capital (capital inicial de investimento) e outras opções de investimento para dinamizar o empreendedorismo em Sines.

Em paralelo, a EDP Produção compromete-se também a manter durante o próximo ano os seus programas de investimento social no território, como é o caso do ‘Partilha com Energia’ (que envolve escolas da região), do ‘Tradições’ (para apoio às artes e ofícios locais) e da doação de viaturas. O programa de Voluntariado EDP também estará disponível dentro deste projeto, podendo responder a necessidades de apoio à escolaridade, acompanhamento profissional ou de promoção da eficiência energética e combate à pobreza energética, entre outras situações que venham a ser identificadas.

A partir de 15 de janeiro, a central de Sines irá iniciar uma primeira fase de descomissionamento, seguindo-se os trabalhos de desmantelamento, num processo que deverá durar cerca de cinco anos.

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