TAP já transporta vacinas Covid para Açores e Madeira. Quer explorar o mercado do Brasil

O fabricante é responsável pelo transporte das vacinas desde o local de produção até um hub central, o que tem sido feito por camião. A companhia aérea fica com o transporte para as ilhas.

Dezenas de milhares de vacinas contra a Covid-19 chegaram às regiões autónomas dos Açores e da Madeira nos aviões da TAP. O transporte para Portugal continental é feito por terra, mas a companhia aérea está encarregue das viagens para as ilhas. E quer aumentar o alcance deste serviços noutros mercados, como o brasileiro.

“A TAP aumentou a sua capacidade logística de transporte de vacinas e outros produtos pharma, e já realizou o transporte de dezenas de milhares de vacinas Covid para Açores e Madeira, estando também atenta a todas as oportunidades de transporte de vacinas para o Brasil e outros mercados onde a TAP Air Cargo opera”, explica fonte oficial da TAP ao ECO.

As questões logísticas foram, desde que existem vacinas em desenvolvimento, uma das principais preocupações, nomeadamente devido aos desafios de movimentar um material ultracongelado. No caso da vacina Pfizer / BioNTech (a primeira a ser aprovada na União Europeia), precisa de temperaturas na ordem dos -70º C. Já a Moderna tem estabilidade garantida a temperaturas standard de refrigeração de -20º C.

"A TAP aumentou a sua capacidade logística de transporte de vacinas e outros produtos pharma, e já realizou o transporte de dezenas de milhares de vacinas Covid para Açores e Madeira, estando também atenta a todas as oportunidades de transporte de vacinas para o Brasil e outros mercados onde a TAP Air Cargo opera.”

Fonte oficial da TAP

A Comissão Europeia — que comprou as vacinas de forma centralizada em nome dos vários países da União Europeia — explicou ao ECO que “o fabricante é responsável pelo transporte das vacinas desde o local de produção até um hub central identificado pelos Estados-membros”. A partir daí, “a distribuição subsequente para os centros de vacinação é assegurada pelos Estados membros, que são também responsáveis pela distribuição das vacinas contra a Covid-19 nos seus países”.

A Pfizer não respondeu às questões colocadas sobre como está a ser transportada a vacina, que foi administrada a mais de 74 mil pessoas desde o final do ano passado. A Moderna, que começou a chegar a Portugal esta semana, explicou que “todas as remessas da vacina da Moderna contra a Covid-19 serão transportadas pela Kuehne+Nagel, uma empresa de logística, e serão provenientes do seu hub farmacêutico na Europa”.

Dentro da Europa, o transporte tem assim sido feito essencialmente por camião preparados para o efeito, deixando o transporte aéreo para outras regiões. É o caso da TAP para a Madeira e para os Açores. Entre as ilhas do arquipélago açoriano, esse transporte é feito pela companhia aérea regional.

A SATA Air Açores efetua o transporte das vacinas contra a COVID-19, unicamente, entre as ilhas do Arquipélago dos Açores. Este serviço de transporte, embora obedeça a um procedimento específico, é efetuado no âmbito das obrigações de serviço público de transporte aéreo que a SATA presta no Arquipélago e, como tal, não está sujeito a um contrato de prestação de serviço adicional”, explica fonte oficial da empresa.

"A TAP monitoriza em permanência os fluxos de procurar e adequa a sua oferta de acordo com as necessidades. A TAP não está a realizar qualquer alteração estrutural na sua operação face a meses anteriores, mas pode efetuar ajustamentos ad hoc sempre que as circunstâncias o exijam.”

Fonte oficial da TAP

Para os Estados Unidos, por exemplo, as vacinas estão a ser transportadas por companhias aéreas como a American Airlines ou a Delta Air Lines. No Brasil, mercado onde a TAP está “atenta” a oportunidades, o processo está mais atrasado.

O presidente Jair Bolsonaro nega a urgência de avançar com a vacinação pelo que é o poder local a decidir. Já foram encomendadas pelo país vacinas da Oxford/AstraZeneca (que podem ser produzidas no Brasil), bem como CoronaVac, a vacina produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac. Este negócio poderá ajudar a TAP a contrariar a forte quebra no negócio do transporte de passageiros, que deverá ser ainda mais penalizado pelo novo confinamento.

Questionada sobre o impacto esperado para as viagens, a companhia aérea respondeu apenas estar disponível para ajustamentos. “A TAP monitoriza em permanência os fluxos de procurar e adequa a sua oferta de acordo com as necessidades. A TAP não está a realizar qualquer alteração estrutural na sua operação face a meses anteriores, mas pode efetuar ajustamentos ad hoc sempre que as circunstâncias o exijam“, disse.

(Notícia atualizada às 10h30 de dia 15 de janeiro de 2021 com resposta da SATA)

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