Desastres naturais em 2020: Dois terços das perdas não estavam seguradas

  • ECO Seguros
  • 26 Janeiro 2021

Uma em cada 35 pessoas no mundo inteiro precisou de assistência, em 2020, face a perigos naturais, ameaças geopolíticas ou incidentes relacionados com a pandemia.

As perdas económicas de catástrofes naturais são estimadas em 268 mil milhões de dólares em 2020, aponta a Aon plc advertindo que a fatura tende a crescer. De acordo com relatório anual em que corretora de seguros e consultora global de risco analisa o impacto e tendências de eventos meteorológicos extremos, alterações climáticas e catástrofes, a companhia avança que os danos segurados representaram cerca de 97 mil milhões de dólares em 2020.

Excluindo o custo que coube às seguradoras pagarem pelos danos efetivamente cobertos, o protection gap (conceito que traduz a diferença entre as perdas económicas totais e os danos efetivamente cobertos por seguros) ascendeu a 171 mil milhões (cerca de 140,5 mil milhões de euros), o que correspondeu a 64% do prejuízo material total.

Logo no início do documento, a companhia adverte que a fatura de danos tende a crescer e, como resposta, exige novas estratégias de resiliência climática e mitigação de danos para navegar novos cenários de volatilidade, repensar o acesso ao capital e reduzir o protection gap à medida que os riscos se vão amplificando num mundo cada vez mais interligado.

 

Na avaliação ao que passou na Europa, a Aon refere que os danos de tempestades tropicais severas traduziram perdas seguradas de valor mais baixo nos últimos 14 anos, ainda que o evento Ciara fique registado como a tempestade (de vento) que mais prejuízo causou desde o Xyntia, em 2010. Ainda, de acordo com a mesma fonte, as seguradoras na Europa suportaram, em 2020, uma parcela relativamente pequena (32%) das perdas económicas, situação que traduz elevado protection gap no que respeita a eventos naturais adversos e fenómenos meteorológicos extremos.

Retomando a análise global, os 97 mil milhões de dólares estimados em danos segurados no mundo situam-se 40% acima da média estimada para o muito longo prazo, num ano em que as seguradoras ainda enfrentaram gastos decorrentes do impacto global da pandemia, observa a corretora global de seguros.

O evento com custo mais elevado para as seguradoras em 2020 foi o furacão Laura, em agosto, que devastou regiões dos EUA e das Caraíbas, causando perdas seguradoras estimadas em 10 mil milhões de dólares. No entanto, as cheias sazonais na China, entre junho e setembro, figuram como evento natural que mais perdas económicas originaram, por montante estimado de 35 mil milhões.

As cheias na Índia causaram 1.922 mortos, a região mais atingida em perdas humanas. Globalmente, em resultado dos desastres naturais mais de oito mil pessoas perderam a vida num ano de mortalidade anormal por causa da covid-19.

Abordando o impacto humanitário de eventos extremos no cenário de pandemia (Covid-19), o documento indica que 235 milhões de pessoas (uma em cada 35 pessoas no mundo) precisaram de assistência perante eventos perigosos, da natureza, de origem geopolítica ou incidentes relacionados com a pandemia.

O relatório identifica mais de 400 eventos catastróficos, com destaque para os ciclones tropicais, inventariados como o perigo que mais estragos causaram (78 mil milhões de dólares), seguidos das cheias ou inundações (76 mil milhões) e outras tempestades severas (mais de 60 mil milhões de dólares).

 

 

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