Portugal contrata bancos para fazer emissão de dívida a 30 anos

O país mandatou um sindicato de bancos para emitir obrigações que atingem a maturidade em abril de 2052.

Portugal está a preparar uma venda sindicada de dívida de longo prazo. Segundo avançaram fontes do mercado à Reuters, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP mandatou um sindicato de bancos para emitir obrigações que atingem o prazo em abril de 2052, numa altura em que o país tem beneficiado de baixos juros em todas as maturidades.

A República Portuguesa mandatou o Crédit Agricole CIB, o Deutsche Bank, o Morgan Stanley, o JPMorgan, o Nomura e o Novo Banco como joint lead managers numa emissão de obrigações do Tesouro com mais de 30 anos. A operação deverá chegar ao mercado esta quarta-feira.

Nos últimos anos, Portugal tem recorrido a vendas sindicadas como primeiras emissões de cada ano, por permitirem logo arrecadar grande parte do montante necessário. Desta vez não foi assim e a agência liderada por Cristina Casalinho decidiu realizar antes um leilão a 13 de janeiro, que acabou por ser histórico: Portugal financiou-se pela primeira vez a 10 anos com juros negativos.

Este foi um marco para o país que nunca se tinha financiado em mercado primário a 10 anos (que é a maturidade benchmark) com juros negativos. No mercado secundário, esta fasquia já tinha sido superada no início de dezembro, com a yield nacional a saltar entre “terreno” positivo e negativo deste então, beneficiando da bazuca de 1,85 biliões de euros que o Banco Central Europeu (BCE) tem para comprar divida pública e privada emitida nos países da Zona Euro.

Esta terça-feira — dia em que foi conhecida o tombo de 6,7% da economia portuguesa em 2020 — a yield das obrigações a 10 anos negoceia em mercado secundário nos 0,041%. A 30 anos, esta taxa situa-se em 0,786%. Os analistas têm defendido que a tendência de baixos juros deverá manter-se enquanto o BCE mantiver a estratégia de apoio.

Além de aproveitar os baixos juros, a razão para o IGCP ter voltado atrás na estratégia e recorrer a uma venda sindicada poderá estar relacionada com o grande reembolso que tem pela frente: Portugal tem de reembolsar, já em abril, 8.727 milhões de euros a investidores que têm títulos prestes a atingir as maturidades.

(Notícia atualizada às 14h10)

 

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