Esta investigadora trocou os inquéritos pelo “Fabularium”. Um escritório ambulante e partilhado pelos habitantes

Com o objetivo de compreender a ligação que os habitantes de determinada região têm com o território, Hélène Michel optou por um método investigação menos "frio" e "conceptual".

máquina de escrever

“Querida mãe, diante da imensa beleza destas montanhas, penso em ti. Tu que as amavas tanto. Encontro-te em cada lâmina de relva, em cada raio de sol, em cada carícia do vento. Querida montanha, se vires a minha mãe, diz-lhe que o nosso amor é eterno e sublime, como tu”. Esta é apenas umas das várias cartas de amor, de amizade, de luto ou lealdade que a investigadora Hélène Michel recolheu durante a sua pesquisa na região de Auvergne-Rhône-Alpes, em França.

Com o objetivo de compreender a ligação que os habitantes daquela região têm com o território, a investigadora da Escola de Gestão de Grenoble (França) optou por um método investigação, no mínimo, original. Com recurso ao “Fabularium”, uma espécie de escritório ambulante que pode ser desmontado e transportado às costas de qualquer pessoa, Hélène Michel recolheu várias histórias e testemunhos dos habitantes, contadas com o “Fabularium” colocado nos mais diversos lugares.

Seja no topo da montanha, com os seus pés na água, no meio da floresta ou em cima de neve, “uma vez instalada, esta secretária, que ainda pesa 30 quilos, torna-se um objeto espetacular e invulgar, criando uma verdadeira experiência”, explica a investigadora, citada pela publicação francesa La Vie (acesso livre, conteúdo em francês).

Para levar a cabo a sua pesquisa, Hélène Michel, que diz que sempre teve um interesse especial pela microaventura (que são passeios rápidos que oferecem algo diferente e entusiasmante, ao mesmo tempo que de curto, próximo e acessível), queria trazer o encanto de volta ao quotidiano das pessoas e, para isso, precisava de “um método de investigação em tamanho real”. Assim nasceu o “Fabularium”. “O desenho foi criado para representar uma máquina de viagem, tornando a sua presença intrigante para aqueles que se deparam com ela no seu caminho”, explica.

Um método de investigação menos “frio” e “conceptual”

Apelando às emoções e até à capacidade artística e criativa, o “Fabularium” permite, assim, conhecer os habitantes de um território de uma forma não tão académica e convencional. “Queria afastar-me dos habituais questionários frios e conceptuais”, explica a investigadora, acrescentando que entre todas as cartas há uma semelhança: todas apelam ao território, à sua acessibilidade, simbolismo, riscos ou ações de proteção.

Queria afastar-me dos habituais questionários frios e conceptuais.

Hélène Michel

Investigadora da Escola de Gestão de Grenoble

Com o material recolhido, a investigadora quer, agora, partilhar a experiência e construir um novo olhar sobre o território estudado. Hélène Michel trabalha em parceria com laboratórios internacionais, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Esta investigadora trocou os inquéritos pelo “Fabularium”. Um escritório ambulante e partilhado pelos habitantes

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião