CEO da TAP alerta que as “projeções de retoma são cada vez mais incertas”

Em fevereiro, a companhia aérea está a operar 93% abaixo da operação do mesmo mês do ano passado e, em março, deverá manter-se assim.

O confinamento sem fim à vista aumenta a incerteza sobre a retoma da atividade da TAP, segundo alerta o CEO Ramiro Sequeira, numa comunicação aos trabalhadores a que o ECO teve acesso. Em fevereiro, a companhia aérea está a operar 93% abaixo da operação do mesmo mês do ano passado e, em março, deverá manter-se nesta linha.

“As previsões de longo prazo da IATA [Associação Internacional de Transportes Aéreos] assumem um elevado grau de incerteza, muito indexado à performance da vacina, evolução da pandemia e da recuperação económica, sendo que mesmo no cenário mais otimista os níveis de 2019 não serão recuperados antes de 2023, liderado pela recuperação inicial das viagens de lazer e domésticas“, explica Sequeira.

A mais recente análise da IATA indica uma quebra de 70% face ao período anterior à pandemia, “adicionando muita incerteza às projeções para maio de 2021”, refere o gestor. O cenário moderado a nível mundial indica uma recuperação de 61% do tráfego global, 79% do tráfego doméstico e 50% do tráfego internacional.

O impacto da nova vaga da pandemia no turismo tem-se feito sentir na TAP, cuja taxa de ocupação média global situou-se, nos últimos meses do ano passado, em 50%, ou seja 29 pontos percentuais abaixo da taxa média global de 2019. Em janeiro manteve-se a tendência decrescente a que se assistiu em novembro e dezembro, sendo que a TAP reduziu em 72% o número de voos e em 70% a capacidade.

"Permanecemos convictos que o plano de reestruturação do grupo TAP apresentado, que agora carece de definição e implementação concreta, é chave para alcançar o gradual e progressivo reequilíbrio económico-financeiro, particularmente neste contexto.”

Ramiro Sequeira

CEO interino da TAP

“Esta tendência resulta do agravamento que temos vindo a assistir das medidas restritivas, em todas as regiões do mundo, na sequência da 2ª e 3ª vagas, bem como da identificação de novas estirpes do novo coronavírus. Estas medidas têm-se centrado em quarentenas, fechos parciais e totais e têm tido um impacto muito significativo na indústria da aviação mundial, e na TAP em particular“, aponta o CEO.

Em fevereiro, a operação foi suspensa em 93% para um intervalo entre 25 a 45 voos diários. “Quando olhamos para março, prevemos uma quebra na oferta em linha com a de fevereiro, considerando que várias das restrições impostas não têm data de término ou prevemos que não venham a ser aliviadas no próximo mês”, sublinha. “Como é evidente, este cenário pode-se alterar rapidamente em virtude da evolução das restrições e imposições à mobilidade das pessoas”.

Neste cenário de incerteza sobre o futuro operacional, o CEO interino lembra ainda aos trabalhadores que já estão disponíveis as medidas laborais de adesão voluntária no âmbito do plano de reestruturação, em análise na Comissão Europeia. Acrescenta que os elementos da equipa de gestão permanecem “convictos que o plano de reestruturação do grupo TAP apresentado, que agora carece de definição e implementação concreta, é chave para alcançar o gradual e progressivo reequilíbrio económico-financeiro, particularmente neste contexto“.

(Notícia atualizada às 16h05)

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