Balanço do BCE cresceu mais com Lagarde que em oito anos de Draghi

A expansão do balanço do Banco Central Europeu em 2020 reflete o apoio massivo que deu à economia da Zona Euro. No final do ano já eram quase sete biliões de euros.

Os ativos detidos pelo Banco Central Europeu (BCE), nomeadamente dívida pública, aumentaram em 2,3 biliões de euros entre o final de 2019 e o final de 2020. Esta é uma subida sem precedentes nas duas décadas em que a moeda única existe e é explicada pela crise pandémica que levou o BCE a dar um apoio massivo à economia da Zona Euro. Assim, no ainda curto mandato de Christine Lagarde, o balanço do banco central aumentou mais do que durante os oito anos do seu antecessor, Mario Draghi.

No total, o balanço do Banco Central Europeu fechou 2020 nos 6,9 biliões de euros, o que correspondia a 58% do PIB da Zona Euro de 2019 (11,9 biliões de euros), uma percentagem que deverá subir quando for calculado com o PIB de 2020 uma vez que este caiu. O BCE fica assim com um balanço em máximos históricos, acima do peso do balanço da Reserva Federal norte-americana mas abaixo do do Banco do Japão (superior a 100% do PIB).

O histórico anual do balanço do BCE, que foi atualizado recentemente e noticiado esta quarta-feira pela Bloomberg, mostra bem a dimensão dos fundos mobilizados pela política monetária para estabilizar os mercados financeiros, reduzir os encargos com a dívida e permitir que o sistema financeiro continue a emprestar durante a pandemia. Entre 2011 e 2019, o período do mandato de Draghi, o balanço tinha aumentado 1,97 biliões de euros. Num só ano de Lagarde, marcado pela pandemia, o balanço subiu 2,3 biliões de euros.

Crise financeira e crise pandémica levam balanço do BCE para máximos históricos

Fonte: Banco Central Europeu. Em milhões de euros.

Contudo, a conclusão muda se se considerar o ano em que o BCE decidiu começar o “quantitative easing” para combater o perigo da deflação na Zona Euro. Foi no início de 2015 que Draghi avançou com a compra de ativos (dívida pública e privada) e desde esse momento até à sua saída em 2019, o balanço do BCE aumentou 2,46 biliões de euros, acima dos 2,3 biliões de euros que cresceu em 2020.

Esta subida repentina do balanço do BCE em 2020 não é um exclusivo da Europa. Nos EUA, o balanço da Fed aumentou em três biliões de dólares em 2020, passando de pouco mais de quatro biliões de dólares para mais de sete biliões de euros, de acordo com os dados divulgados. Contudo, como a economia norte-americana é maior do que a da Zona Euro (cerca de 21 biliões de dólares em 2019, com a ressalva de que não é diretamente comparável por causa da conversão da moeda), o peso do balanço da Fed no PIB é inferior.

Em 2021, o balanço do Banco Central Europeu já superou os sete biliões de euros e é expectável que continue a crescer enquanto durar o PEPP, o programa de compras de emergência pandémica. Como a recuperação está a demorar mais tempo a chegar do que o esperado, há quem peça a manutenção das compras, como é o caso do governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, mas também há quem tema uma subida da inflação e anteveja a necessidade de travar a política monetária expansionista, como é o caso de Jens Wiedmann, do Bundesbank (banco central alemão).

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