Futebol quer sentir “apoio e barulho dos adeptos” ainda esta temporada

Clubes de futebol já perderam 276 milhões de euros por causa da pandemia. Nos Açores, os adeptos já regressaram às bancadas e Liga conta abrir as portas dos outros estádios ainda esta época.

Quando é que podemos voltar a… É a nova rubrica diária do ECO, numa altura em que se assinala um ano desde que foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal. Com o confinamento, muitas atividades fecharam portas e a nossa vida mudou. Com a descoberta e distribuição das vacinas, muitos países e algumas atividades já começam a planear o desconfinamento. Em Portugal, quando é podemos voltar ao nosso local do trabalho e às escolas? Quando é que poderemos voltar aos festivais de música e viajar sem restrições? E ao cinema, aos museus e a uma discoteca? Quando é que poderemos voltar a ver futebol nos estádios e ir ao ginásio? Nesta série de artigos, fomos falar com responsáveis de cada um desses setores.

Mais de 900 adeptos já puderam assistir à vitória do Santa Clara diante do Paços de Ferreira no passado fim de semana, no Estádio de São Miguel, nos Açores, num jogo que marcou regresso do público aos estádios de futebol em Portugal. Há meses de portas fechadas por causa da pandemia, o estádio açoriano recebeu estas centenas de adeptos onde se incluía a CEO da Liga portuguesa. “Foi tão bom ouvir os aplausos. Estive em Ponta Delgada e senti o mesmo arrepio do que há uns meses“, conta Sónia Carneiro ao ECO.

O futebol foi um dos setores mais penalizados pelo surto do novo coronavírus. Passado um ano, a indústria também começa a ver a luz ao fundo do túnel com o desagravamento da pandemia e conta os dias para voltar a ter público nos seus estádios.

Nos Açores, isto já foi possível há uma semana. A região tem autonomia do ponto de vista da gestão sanitária e das medidas a adotar para combater este flagelo sanitário. Com casos pontuais de infeção nos últimos dias, já foi possível abrir as portas do Estádio São Miguel e os adeptos da casa, com o devido distanciamento e segurança, embalaram a equipa do Santa Clara rumo a uma vitória sem contestação por 3-0 diante de uma das surpresas desta Liga.

Dado este passo, Sónia Carneiro espera poder abrir as portas dos outros estádios de futebol em Portugal ainda no decorrer da presente temporada, que termina em meados de maio, aproveitando-se, quiçá, o teste que está a ser “conduzido” nos Açores para um regresso dos adeptos com segurança.

“A saúde pública está em primeiro lugar, mas os nossos clubes precisam dos seus adeptos, do apoio, do barulho”, frisa Sónia Carneiro. “Felizmente, os números parecem estar a aliviar – o que já merecíamos depois de um ano – e com o início da vacinação acreditamos que, com todos os cuidados e segurança, ainda teremos público esta temporada nos estádios do Futebol Profissional, mesmo que de forma parcial“, acrescenta.

"Os números parecem estar a aliviar – o que já merecíamos depois de um ano – e com o início da vacinação, acreditamos que, com todos os cuidados e segurança, ainda teremos público esta temporada nos estádios do futebol profissional, mesmo que de forma parcial.”

Sónia Carneiro

Presidente da Liga Portugal

Vírus custa 276 milhões

Os adeptos são o sal do futebol. Ajudam a animar e a incentivar os jogadores dentro de campo, mas também representam uma importante fonte de rendimentos. Com os recintos encerrados, os clubes perderam completamente o negócio com a venda de bilhetes, lugares anuais e camarotes que rendiam cerca 43 milhões por época.

De acordo com as estimativas da Liga, no total, os clubes vão perder 276 milhões de euros por causa da pandemia na presente temporada, face ao impacto do vírus em várias dimensões de receita, incluindo transferências de jogadores, merchandising e outra atividade comercial. “Há estragos dos quais será difícil recuperar”, lamenta Sónia Carneiro, chamando a atenção do Governo para aliviar o fardo financeiro sobre os clubes, nomeadamente através da redução e revisão de algumas rubricas, como o valor pago de seguros de acidentes trabalho, por exemplo.

Os primeiros meses da pandemia foram os mais complicados. Os jogos pararam por completo, ameaçando também os acordos televisivos com Nos e Altice. Em França, por exemplo, a Mediapro cancelou o contrato de mais de 1.000 milhões de euros que tinha com a Ligue 1 e Ligue 2, deixando os clubes franceses com muitas contas por fazer. “Felizmente, sempre tivemos as operadoras do lado dos nossos clubes e mantiveram o pagamento dos direitos televisivos. Esta é uma fonte absolutamente fundamental para os clubes e se deixássemos de ter estas verbas, certamente muitas dessas Sociedades Desportivas teriam uma situação económica absolutamente insolvente”, explica a CEO da Liga.

Impacto da pandemia na Liga portuguesa de futebol

Os dirigentes dos clubes nacionais aprenderam rapidamente o que estaria em causa caso não se adaptassem à nova realidade marcada pela incerteza. Muitos renegociaram os salários com os jogadores face à ausência de dinheiro a entrar nos seus cofres.

Do ponto de vista do jogo, também puseram em marcha um protocolo sanitário para criarem “bolhas sanitárias” e evitarem nova interrupção da competição. Por exemplo, até fevereiro, já tinham sido efetuados 43 mil testes durante a presente época, com o aumento dos encargos que isso representa.

Com a perspetiva de voltar abrir as portas, os responsáveis da Liga não estão descansados. Longe disso. A incerteza da pandemia continua a ser elevada e a saudade de voltar a vibrar com um jogo de futebol a partir das bancadas pode esbarrar no medo do vírus.

“Temos algum receio que as pessoas, mesmo tendo uma saudade gigante de ver futebol ao vivo, tenham alguma dificuldade em regressar ao ritual de festa, de amizade e, por vezes, até familiar, de se deslocarem aos estádios para apoiarem as suas equipas“, diz Sónia Carneiro. “Este fator, além dos grandes impactos económicos, pode demorar anos a recuperar”.

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