Exportações afundam quase 10% em janeiro e importações caem 17,2%

O ano arrancou com quedas nas exportações e importações de bens, que se deveram principalmente à diminuição da compra de combustíveis e material de transporte.

Portugal viu as exportações de bens afundar 9,8% no primeiro mês do ano, face ao mesmo período de 2020. Já as importações encolheram 17,2%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira. Números comparam com quedas de 7,4% e 6,5%, em dezembro, representando assim um agravamento.

Estas evoluções “foram muito influenciadas pelos decréscimos acentuados das exportações e das importações de combustíveis e lubrificantes (-39,3% e -46,1%, respetivamente) e de material de transporte (-10,9% e -26,4%, pela mesma ordem)”, adianta o INE.

Nas exportações, pesou a queda nas compras da Alemanha às empresas portuguesas (-11,2%), sobretudo de material de transporte e bem como de Espanha (-4,6%), principalmente de bens de consumo (sobretudo vestuário). Por outro lado, nas importações dos principais parceiros, também comprámos menos ao país vizinho (-8,9%), igualmente no vestuário, e ao Reino Unido (-85,6%).

Já excluindo os combustíveis e lubrificantes, a diminuição nas exportações foi de 7,3% em janeiro de 2021, e de 12,6% nas importações, em termos homólogos (respetivamente -3,4% e -2,6%, em dezembro de 2020).

Quedas mais expressivas nas importações do que nas exportações têm permitido uma melhoria no saldo comercial de bens, sendo que em 2020 se registou um défice comercial de bens significativamente mais baixo do que em 2019. Já em janeiro de 2021, o “défice da balança comercial atingiu 834 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 630 milhões de euros face ao mesmo mês de 2020″, refere o INE.

Menos carros e aviões pesaram no comércio internacional em 2020

Foi no material de transporte que se sentiu a maior queda no comércio internacional em 2020, num ano marcado pelos confinamentos devido à pandemia de Covid-19. Foi a categoria económica que registou o decréscimo mais acentuado em termos absolutos face ao ano anterior, de 2.091 milhões de euros nas exportações e 4.951 milhões de euros nas importações, revela o INE.

Quando se olha em termos relativos, as exportações de material de transporte diminuíram 17,2% em 2020 e as importações decresceram 33,6%. Foram os automóveis para transporte de passageiros que mais pesaram no desempenho no ano passado, recuando 1.080 milhões de euros, principalmente
devido a menos exportações para a Alemanha. Também se enviaram menos peças para França e menos aviões para o Canadá.

O movimento também ocorreu no sentido oposto, sendo que se reduziram as importações de outro material de transporte, maioritariamente aviões, provenientes de França, numa queda de 1.767 milhões de euros. Alemanha e França também compraram menos automóveis para transporte de passageiros a Portugal. Quando às importações de partes, peças separadas e acessórios, estas caíram 1.283 milhões de euros, principalmente provenientes da Alemanha e de Espanha.

Exportações de vestuário caíram 16%, enquanto as importações afundaram 33%

No primeiro mês do ano, as exportações de vestuário caíram 16% (menos 46 milhões de euros), as de matérias-primas têxteis caíram 5% (menos 6 milhões de euros) e as de têxteis lar e outros artigos têxteis confecionados – onde se incluem as máscaras têxteis – aumentaram 9% (com um acréscimo de 6 milhões de euros), de acordo com dado divulgados esta sexta-feira pelo INE.

Em termos de mercados, as exportações para França cresceram 3% o que equivale a um acréscimo de 2 milhões de euros, na Dinamarca as exportações cresceram 17% (mais 1,5 milhões de euros). O Reino Unido, excluindo a Irlanda do Norte lidera a tabela dos países que registaram maior acréscimo, no entanto é devido ao facto de, em 2020, não haver dados para esta classificação.

No sentido inverso, Espanha continua a liderar a tabela dos destinos com maiores quebras (24%), o que corresponde a menos 30 milhões de euros.

No primeiro mês do ano, as importações de vestuário caíram 44% (menos 94 milhões de euros) e matérias têxteis também caíram 24%, sinal que evidencia a quebra na atividade do setor que terá com certeza impacto nas exportações dos meses de fevereiro e março.

As importações de têxtil lar e outros artigos têxteis confecionados, máscaras têxteis incluídas, subiram 15%. No total, as importações de têxteis e vestuário caíram 33% (menos 126 milhões de euros) comparativamente com janeiro de 2020.

Relativamente ao passado e com base na evolução dos índices de atividade, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) estimou uma destruição de emprego de cerca de 5000 postos de trabalhos (equivalente a uma quebra de 4%), uma diminuição na produção de de 18% (menos 1,3 mil milhões de euros) e uma quebra de 14% no volume de negócios do setor (menos 1,1 mil milhões de euros).

A associação destaca que a “perda do emprego está a ser amortizada pelas empresas. Caso tivesse sido na mesma ordem de grandeza dos restantes indicadores, o setor teria perdido 20 mil postos de trabalho”.

(Notícia atualizada pela última vez às 15H18 com informação das exportações de vestuário)

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