Pausa na AstraZeneca terá “impacto grande” na vacinação e confiança das pessoas, diz perito. Mas foi “atitude mais prudente”

Infeciologista António Silva Graça defende, ao ECO, que suspender a vacina da AstraZeneca "foi a atitude mais prudente", até serem conhecidos os resultados das análises aos dados.

O infeciologista António Silva Graça defende que a suspensão da administração da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca no país vai ter “um impacto grande” na vacinação, bem como um efeito “muito negativo na confiança” das pessoas no processo. Mas foi a “atitude mais prudente”, assegura o perito, em declarações ao ECO.

A pausa foi decidida esta segunda-feira, depois de vários países europeus também o terem feito, devido ao aparecimento de casos de formação de vários tipos de coágulos sanguíneos. Não é certo se existe uma ligação entre os casos e a toma da vacina, estando em análise pelo regulador europeu, mas por “precaução”, Portugal decidiu suspender até serem conhecidos mais dados.

Isto “vai ter um impacto grande em termos da vacinação”, sendo que, apesar de a AstraZeneca ser “um dos laboratórios que não estava a entregar” todas as doses previstas, registando alguns atrasos, “mas mesmo em défice era significativo”, sinaliza António Silva Graça. Por outro lado, tem também um “impacto muito negativo na confiança que as pessoas devem ter neste programa de vacinação”.

De forma a mitigar este efeito e “ser retomada confiança, pessoas têm de perceber que foi a atitude mais prudente”. “É necessário interromper” até serem conhecidos os resultados de avaliação em vários países, “porque só a avaliação é que permitirá novamente dar credibilidade a vacinação com esta vacina”, explica o infeciologista.

Para além disso, “temos sempre um conjunto de instrumentos para evitar transmissão e progressão da pandemia”, sendo que a vacinação “é um deles, e dos mais importantes”. Mas com um percalço na vacinação, “estamos mais dependentes da atitude de cada um de nós, do cumprimento das medidas”, bem como da capacidade de testagem e de rastrear, elementos que “podem ajudar a controlar a progressão da infeção”.

No entanto, é provável que esta suspensão atrase a imunidade de grupo no país. A meta que estava traçada, de no final do verão ter 70% da população com pelo menos uma dose, “já era difícil de ser atingida”, admite o especialista. “Esta carência das vacinas da AstraZeneca vai novamente comprometer processo” e atingir objetivo torna-se mais difícil.

Neste plano, a aprovação de novas vacinas “ganha outra importância porque aumenta a necessidade”, aponta António Silva Graça. No entanto, o perito reitera que “o processo vai continuar a ser tão rigorosos como tem sido”.

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