Espanha, França, Alemanha e Itália suspenderam a vacina da AstraZeneca. Já são 14 países europeus

EMA, OMS e AstraZeneca dizem que não há causalidade entre toma da vacina e casos de coagulação no sangue que levaram à morte de duas pessoas na Áustria e Dinamarca.

O número de países europeus que suspenderam a toma da vacina da AstraZeneca subiu para 14. Tudo começou com a suspensão na Áustria, devido à morte de uma enfermeira e o registo de sintomas graves noutra, depois de ambas terem sido vacinadas com o fármaco anglo-sueco. A Agência Europeia do Medicamento (EMA, em inglês), Organização Mundial de Saúde (OMS) e a própria farmacêutica defendem uso da vacina.

A Agência Federal de Segurança Sanitária (BASG) austríaca decidiu, por precaução, retirar um lote da vacina da AstraZeneca depois de uma enfermeira, de 49 anos, ter morrido 10 dias depois de ter tomado o fármaco por problemas de coagulação do sangue. Também outra enfermeira, de 35, sofreu uma embolia pulmonar depois de ter sido vacinada e foi parar aos cuidados intensivos. Ainda assim, a própria agência sublinhou que não foi estabelecida uma relação causal entre o ocorrido e a vacina, mas que iriam aguardar por uma investigação completa.

Depois da Áustria, Estónia, Lituânia, Luxemburgo, Letónia, Itália, Noruega, Islândia e Dinamarca suspenderam também a toma deste fármaco. A Dinamarca foi um dos países onde ocorreu um caso grave. O uso do fármaco foi suspenso depois de uma mulher de 60 anos, vacinada com um fármaco do mesmo lote em causa, ter formado coágulos sanguíneos e morrido pouco depois.

No fim de semana foi a vez da Irlanda suspender o uso da vacina e, esta segunda-feira, os Países Baixos, a Alemanha, França e Espanha anunciaram o mesmo. As autoridades holandesas reportaram 10 incidentes após a administração da vacina da AstraZeneca e decidiram suspender o seu uso até 29 de março, enquanto o regulador alemão, citado pela Bloomberg (acesso pago/conteúdo em inglês) justifica a decisão como medida de “precaução”. Paris, por sua vez, opta por aguardar que a EMA se pronuncie sobre o assunto na terça-feira.

Segundo a EMA, o lote em causa foi entregue a 17 países da UE (Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Estónia, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Espanha e Suécia). Destes, só seis países ainda não pararam de administrar a vacina.

Perante a ocorrência na Áustria, o regulador europeu emitiu, na passada quarta-feira, um comunicado a esclarecer que “não há atualmente qualquer indicação de que a vacinação tenha causado estas condições, que não estão listadas como efeitos secundários com esta vacina“. No dia seguinte, a EMA voltou a sublinhar essa declaração, indicando que está a decorrer uma investigação e que os restantes países europeus podem continuar a usar a vacina.

Esta segunda-feira, a EMA veio também adiantar, através de comunicado, que os benefícios associados a uma utilização da vacina da AstraZeneca ainda superam os riscos potenciais derivados da mesma. Ainda assim, o regulador optou por convocar uma reunião de emergência para a próxima quinta-feira, para abordar estas questões.

Além da EMA, também a OMS tem uma equipa de peritos a analisar a vacina. Ainda assim, a OMS considera que não existem razões para suspender a utilização da mesma.

Também a própria farmacêutica revelou, depois de uma revisão dos dados de segurança das pessoas vacinadas com a vacina da AstraZeneca, que não há provas de um risco acrescido de coágulos sanguíneos.

Com as informações disponibilizadas pela EMA, e não só, o Infarmed, regulador português, divulgou uma nota onde indica que “os benefícios da utilização da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca mantêm-se superiores ao risco, não havendo qualquer alteração às recomendações sobre a sua utilização”. De recordar que, Portugal não foi um dos países a receber o lote em causa da vacina.

A DGS também emitiu um comunicado onde escreve que a vacina continuará a ser administrada. Segundo a nota, em Portugal o Sistema de Farmacovigilância registou dois casos de eventos tromboembólicos após a tomada da vacina da AstraZeneca, “sendo que não apresentam o mesmo padrão clínico dos que se encontram em avaliação” pelo Comité de Segurança, PRAC, da EMA.

(Notícia atualizada às 17h40 com a decisão de Espanha)

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