Mais de um quarto das famílias portuguesas perdeu 25% ou mais rendimentos durante a pandemia

Duas em cada três famílias têm dificuldades financeiras. Apenas 31% tem algum conforto. Algarve tem maior percentagem de famílias que perderam 25% ou mais dos rendimentos.

Mais de metade das famílias portuguesas (52%) perderam rendimentos durante a pandemia de Covid-19 e, cerca de uma em cada quatro (27%) reportaram perdas de 25% ou mais, de acordo com o novo barómetro da Deco, divulgado esta quinta-feira, em comunicado.

O estudo, que foi realizado inquirindo 4.690 agregados familiares, indica ainda que “duas em três famílias portuguesas enfrentam dificuldades para suportar os custos inerentes ao dia-a-dia“. De acordo com a nota divulgada, “a necessidade de equipamento para as aulas a partir de casa é a explicação lógica para o acréscimo de dificuldade em honrar as despesas de educação” no ano passado.

As despesas que estas famílias têm mais dificuldades de suportar são as despesas relacionadas com automóvel, manutenção da casa, cuidados dentários. Também é difícil suportar os custos de óculos e aparelhos auditivos e também de férias.

Pelo contrário, 31% dos agregados têm “conforto financeiro”, mostrando facilidade em pagar as suas contas, “mas não mais do que isso”, indica a organização de defesa do consumidor.

“As duras decisões políticas sobre a atividade económica, com maior peso em determinados setores, arrastaram milhares de portugueses para um limite da sua capacidade financeira, situação apenas atenuada pelos apoios do Estado como por exemplo as moratórias ou os regimes de lay-off”, lê-se no comunicado.

Segundo o índice da Deco (de 0 a 100), Portugal tem 47,4, o que situa o país na zona das dificuldades financeiras (de 31,6 a 52,3). Portugal fica, assim, abaixo de todos os países analisados pela organização. Bélgica teve o valor mais alto (56,1), seguido de Espanha (52,5) e Itália (48,9).

Famílias algarvias perderam mais rendimentos

A nível regional, foi o Algarve onde uma maior percentagem das famílias (46%) disse ter perdido 25% ou mais dos rendimentos. Esta região foi bastante afetada pela falta de turistas devido às restrições de viagens, quer durante o verão, quer no resto do ano. Logo a seguir ao Algarve, encontra-se a Madeira (41%), região também muito dependente do turismo.

Pelo contrário, foi nos Açores que as famílias menos declararam perda de 25% ou mais de rendimentos (17%).

É também no Algarve que as famílias têm mais dificuldades financeiras. Segundo o barómetro da Deco, 73% das famílias algarvias passa dificuldades e 8% está mesmo em situação crítica (pobreza).

No sentido inverso, é na Madeira que há menos famílias em dificuldades financeiras (59%). No entanto, a percentagem de famílias com conforto financeiro é a mesma que em Lisboa e Vale do Tejo (34%), isto porque na Madeira há uma maior percentagem de famílias em situação crítica (7% face aos 5% de Lisboa).

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