CaixaBank conclui fusão com Bankia. Fernando Ulrich no “board” do maior banco de Espanha

O CaixaBank e o Bankia já são formalmente um só banco, o maior do mercado doméstico espanhol. Fernando Ulrich, chairman do BPI, foi confirmado como um dos administradores.

O CaixaBank fundiu-se oficialmente com o Bankia. Estão finalizados todos os “trâmites legais” da operação, incluindo a escritura no Registro Mercantil em Espanha. A informação foi avançada pelo CaixaBank num comunicado.

A fusão dá origem ao maior banco no mercado doméstico espanhol, com 20 milhões de clientes, 623,8 mil milhões de euros em ativos totais, uma capitalização bolsista superior a 20,5 mil milhões e “uma posição relevante a nível europeu”. Irá manter a marca CaixaBank, desaparecendo a marca Bankia.

O banco tem uma quota de mercado de 26% no crédito, de 24% nos depósitos e de 29% na poupança a longo prazo (incluindo seguros de poupança, fundos de investimento e planos de pensões), de acordo com os números do próprio banco. Conta ainda com dez milhões de clientes digitais no mercado espanhol.

O conselho de administração é formado por 15 membros, dos quais nove homens e seis mulheres. Do total de administradores, 60% são independentes e um dos nomes que ressalta à vista é o de Fernando Ulrich, ex-presidente executivo do Banco Português de Investimento (BPI) e atual chairman, que é assim confirmado um dos novos administradores do “novo” CaixaBank. O CaixaBank é dono do BPI.

“Tal como se indicou no projeto de fusão, a entidade combinada resultante da fusão será presidida por José Ignacio Goirigolzarri, atual presidente do Bankia”, lê-se no comunicado. A confirmação deverá ser feita assim que o board se reúna pela primeira vez, o que está previsto acontecer “nos próximos dias”. Na cadeira do presidente executivo sentar-se-á Gonzalo Gortázar.

“O objetivo da entidade é continuar a ser um fator chave de apoio a famílias e empresas, e converter-se num protagonista muito relevante para a recuperação socioeconómica de Espanha”, salienta a nota de imprensa. Ainda assim, “a entidade alcança uma presença geográfica equilibrada e diversificada, com a rede de balcões mais extensa e especializada do setor, e pretende manter a proximidade ao território e a inclusão financeira que o CaixaBank e o Bankia sempre demonstraram”, acrescenta.

Feitas as contas, o CaixaBank passa a estar presente em “cerca de 2.200 municípios” em Espanha. Em 299, é mesmo “a única entidade com representação”.

Novas ações chegam segunda-feira à bolsa

Já esta sexta-feira, “deixarão de estar cotadas” no mercado de capitais as ações do Bankia. “As novas ações do CaixaBank emitidas como consequência da fusão começarão a cotar no próximo dia 29 de março”, ou seja, na próxima segunda-feira.

De recordar que esta operação de fusão foi realizada por via da troca de 0,6845 ações ordinárias novas do CaixaBank por cada ação do Bankia. “O preço acordado inclui um prémio de 20% sobre o preço de fecho das ações a 3 de setembro, antes da comunicação ao mercado da existência de negociações sobre a operação. Além disso, representa um prémio de 28% sobre a média do preço das ações nos três meses anteriores ao anúncio”, indica o CaixaBank.

Por outras palavras, como noticiou o ECO em meados de setembro, o CaixaBank concordou pagar 4,3 mil milhões de euros para consumar a absorção do Bankia.

“Se considerarmos o número total de ações em circulação do Bankia que poderiam participar na troca, o número máximo de ações do CaixaBank a emitir para dar resposta à troca da fusão ascende a um volume de 2.079.209.002 ações ordinárias do CaixaBank de um euro de valor nominal cada uma delas”, calcula a instituição. As novas ações conferem os mesmos direitos que correspondem ao resto dos acionistas do CaixaBank.

Fusão “praticamente” sem impacto nos clientes

Em comunicado, o CaixaBank assegura que “a operação dos clientes não sofrerá alterações, praticamente, até à migração da plataforma operacional de cada entidade, num processo que está previsto executar-se antes do final do ano”.

“As contas correntes e as cadernetas de poupança mudarão de numeração. Esta mudança, no entanto, não afetará os débitos diretos domiciliados, nem as transferências, nem os abonos recebidos. Como tal, não será necessário que o cliente realize nenhuma gestão. Os créditos e hipotecas contratados manterão, igualmente, as condições acordadas”, assegura a empresa.

Os cartões emitidos pelo Bankia podem continuar a ser usados “até que o utilizador realize a ativação dos cartões do CaixaBank que receberá no seu domicílio”. Os levantamentos em caixas automáticas da “rede conjunta” em Espanha passam a estar isentas de comissões já a partir desta sexta-feira.

A identidade visual dos balcões do Bankia vai ser substituída pela marca CaixaBank. O processo “será progressivo”, mas a execução arranca já nos “primeiros dias da integração, com um processo de substituição de sinalética nos edifícios emblemáticos que se prevê que esteja concluído durante a próxima semana”.

Os desafios que temos por diante não são menores. [O CaixaBank será] parte ativa na solução da atual crise.

José Ignácio Goirigolzarri

Futuro chairman do CaixaBank

Operação dá resposta à “disrupção tecnológica”

Para o chairman designado do CaixaBank, José Ignacio Goirigolzarri, esta operação “constitui um marco na história do sistema financeiro espanhol”. Citado em comunicado, o gestor sublinha que os desafios que de avizinham “não são menores”, mas diz que a empresa está preparada para os enfrenta “a partir de uma posição de fortaleza”. O CaixaBank será “parte ativa na solução da atual crise”, defende Goirigolzarri.

Já o presidente executivo, Gonzalo Gortázar, destaca a posição de liderança da empresa no setor financeiro espanhol: “Uma liderança que vamos continuar a colocar ao serviço dos nossos clientes e de toda a sociedade, em linha com a nossa origem fundacional e a nossa vocação social.” Desta feita, a fusão é “uma operação transformacional” que é “necessária para a adaptação a um novo ambiente onde as condições mudaram como consequência da disrupção tecnológica e do contexto económico”.

O atual contexto de digitalização e maior abertura do mercado a soluções tecnológicas, bem como os juros historicamente negativos, está na origem da tendência de consolidação atualmente vivida no setor bancário a nível mundial.

Citada pela Lusa, a direção do CaixaBank negou esta sexta-feira em Barcelona que esteja a ponderar comprar outras entidades financeiras em Portugal ou “reestruturar” a sua filial portuguesa (BPI) que pretende que cresça e aumente a sua quota de mercado. “Não estamos em absoluto neste momento à procura de operações não orgânicas em Portugal”, disse o presidente executivo do CaixaBank numa conferência de imprensa para assinalar o fim dos trâmites legais para a fusão desta entidade bancária com o também espanhol Bankia.

(Notícia atualizada às 12h com mais informação)

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