Taxa de poupança sobe para 12,8%. Portugueses não poupavam tanto desde 2002

A taxa de poupança dos portugueses fixou-se nos 12,8% em 2020, sendo a maior desde 2002. A pandemia provocou um aumento de 5,7 pontos percentuais face a 2019.

Em 2020, ano marcado pela crise pandémica, os portugueses pouparam muito mais e de uma forma que não se via desde 2002. A taxa de poupança fixou-se nos 12,8% do rendimento disponível, o que compara com os 7,1% registado em 2019. Os dados foram divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e refletem a “poupança forçada” pelas restrições da pandemia.

“A taxa de poupança atingiu 12,8% (11,0% no trimestre anterior e 7,1% no final de 2019), sendo necessário recuar a 2002 para encontrar uma taxa de poupança idêntica“, revela o gabinete de estatística esta sexta-feira. Este aumento significativo da poupança deve-se mais à redução do consumo do que ao aumento do rendimento disponível dos portugueses.

Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE).

O consumo privado caiu 5% em 2020, face a 2019, refletindo as restrições à mobilidade e à presença em espaços públicos. É a chamada “poupança forçada” provocada pela pandemia que levou à maior queda do consumo desde 1995, ano em que arranca a série do INE.

Além da queda do consumo, os portugueses no seu conjunto viram o rendimento disponível subir 1% no ano passado — o que esconde realidades muito diferentes –, apesar da crise económica. O gabinete de estatística explica que este número reflete “em parte as medidas de políticas públicas adotadas no contexto da Pandemia e com reflexo na redução do saldo das Administrações Públicas (AP)”. O défice orçamental aumentou para 5,7% do PIB.

De acordo com o INE, a poupança bruta dos cidadãos portugueses cresceu de forma “expressiva” em cerca de 8,6 mil milhões de euros, o equivalente a 4,2% do PIB, em 2020. É este fator que explica o aumento da capacidade de financiamento das famílias para os 5,9% do PIB, o que compara com 1,5% do PIB no final de 2019.

“A taxa de poupança das Famílias mede a parte do rendimento disponível que não é utilizado em consumo final, sendo calculada através do rácio entre a poupança bruta e o rendimento disponível (inclui ajustamento pela variação da participação líquida das Famílias nos fundos de pensões)”, explica o INE.

(Notícia atualizada às 12h44 com mais informação)

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