Catástrofes naturais: danos segurados atingiram 81 mil milhões em 2020

  • ECO Seguros
  • 31 Março 2021

O fosso de proteção perante a ameaça decorrente de catástrofes naturais subiu 23% face a 2019, representando 113 mil milhões de dólares. Os danos económicos globais estimam-se em 190 mil milhões.

No ano passado, 274 eventos catastróficos ceifaram 7993 vidas humanas, com o montante de danos globais segurados a equivaler a 4,9% do volume global de prémios de seguro direto para propriedades e bens. As perdas económicas decorrentes de catástrofes naturais, perdas seguradas e o fosso de proteção (protection gap) cresceram no último ano, indicou o Swiss Re Institute no relatório Natural Catastrophes in 2020.

As perdas económicas globais resultantes de eventos de catástrofes naturais em 2020 ascenderam a 190 mil milhões de dólares (cerca de 162 mil milhões de euros), sem incluir desastres com origem em ação humana. As perdas seguradas em resultado de eventos de catástrofe registados no ano passado somaram 89 mil milhões de dólares, o quinto ano de perdas mais elevadas para a indústria em meio século. Do montante apurado, as perdas seguradas resultantes de desastres causados pelo homem totalizaram 8000 milhões de dólares.

O fosso de proteção, ou montante de perdas que poderiam ter sido cobertas por seguros, passou de 87 mil milhões, em 2019, para 113 mil milhões de dólares em 2020, um incremento de 23% naquilo que a indústria seguradora tem para crescer na cobertura do risco de eventos catastróficos.

“As alterações climáticas são um risco sistémico para o mundo inteiro. Ao contrário da crise da COVID-19, não têm uma data para expirar”, afirma Jérôme Haegeli, Economista Chefe do Grupo Swiss Re, citado no documento que faz o balanço anual dos danos globais das catástrofes. Os números apresentados retratam a dinâmica crescente da ameaça derivada dos eventos catastróficos:

  • Perdas económicas globais de 202 mil milhões de dólares (150 mil milhões em 2019), dos quais 12 mil milhões foram desastres causados pelo homem;
  • Danos segurados de 89 mil milhões de dólares (63 mil milhões em 2019);
  • Excluindo os danos causados por desastres de origem humana, as perdas seguradas (só em eventos de origem natural) ascenderam a 81 mil milhões de dólares (54 mil milhões em 2019);
  • Média móvel a 10 anos aponta prejuízo económico global de 222 mil milhões de dólares, danos segurados de 79 mil milhões (incluindo desastres por causa de ação humana) e os danos segurados – só das catástrofes naturais – somam 74 mil milhões de dólares anuais;

O documento (Sigma 1/2021) ajusta informação preliminar divulgada em dezembro último e destaca a evolução dos designados eventos de perigosidade secundária (secondary peril events) e a necessidade de melhorar a sua monitorização, mas avisa que não se deve perder de vista os riscos decorrentes dos desastres primários.

Os eventos de risco secundário representaram 57,4 mil milhões de dólares, ou 71% das perdas seguradas resultantes só de catástrofes naturais, causadas principalmente por tempestades convectivas graves e incêndios florestais, respetivamente, com maior incidência nos EUA e Austrália. Nos últimos 10 anos, as tempestades convectivas representaram mais de metade das perdas globais seguradas causadas por riscos secundários, adverte o relatório da Swiss Re.

2020 também ficou marcado pela frequência dos designados perigos primários, nomeadamente a época de furacões do Atlântico Norte no ano passado “foi muito ativa”, embora com efeitos menos graves devido ao acaso das tempestades terem atingido áreas de baixa densidade populacional/atividade e/ou baixa penetração de seguros.

Dada a natureza dinâmica dos riscos, “é primordial que, em lugar de retrospetivas”, se passe à “análise prospetiva dos dados, por forma a não subestimar a escala de potenciais perdas atuais e futuras”, sublinha o relatório. Neste sentido, a construção de modelos de risco “também precisa de se afastar da dependência da observação de dados históricos”, os quais podem ter perdido utilidade para as condições atuais, nota ainda o Swiss Re Institute.

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