“Bom resultado” da emissão sindicada reflete “abundante liquidez no mercado”, diz Casalinho

Presidente do IGCP salienta o "bom resultado" na emissão de dívida sindicada. Diz que Portugal ter obtido a taxa mais baixa de sempre para a procura registada neste prazo, a 10 anos.

Portugal voltou aos mercados com uma emissão de dívida com recurso a um sindicato bancário. Foi a segunda vez, este ano, que o fez, sendo que nesta operação lançou uma nova linha de obrigações do Tesouro a 10 anos. O IGCP colocou quatro mil milhões de euros com uma taxa de 0,3%. Foi um “bom resultado”, diz Cristina Casalinho ao ECO.

“É um bom resultado na medida em que corresponde à taxa de cupão mais baixa de sempre para a maior procura verificada para esta maturidade”, a 10 anos, diz a presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP). A operação arrancou com um prémio de 29 pontos base acrescidos da taxa mid swap, mas acabou por baixar para 28 pontos, levando a que o juro caísse para 0,3%.

Nos mercados, a taxa a 10 anos está nos 0,23%, abaixo dos 0,3% que o país acabou por pagar nesta emissão em que contou com a colaboração do BBVA, BNP Paribas, Caixa BI, Citi e o Credit Agricole CIB. Em janeiro, Portugal fez história ao conseguir, pela primeira vez, realizar um leilão com esta maturidade em que o juro foi negativo, mas desde então as taxas têm vindo a subir nos mercados internacionais.

Apesar de não ser tão baixa quanto a que o país chegou a obter em leilões, foi uma taxa bastante reduzida para a qual contribuiu a forte procura registada nesta emissão. O livro registou ordens de 30 mil milhões de euros, 7,5 vezes acima dos quatro mil milhões de euros que o IGCP pretendia com esta operação.

É um bom resultado na medida em que corresponde à taxa de cupão mais baixa de sempre para a maior procura verificada para esta maturidade.

Cristina Casalinho

Presidente do IGCP

“Atualmente, existe abundante liquidez no mercado”, nota Casalinho. Esta liquidez em excesso está associada a “motivos precaucionários, seja devido à injeção realizada pelo BCE no âmbito das medidas de combate aos efeitos da crise pandémica”, acrescenta, em respostas colocadas pelo ECO.

De acordo com a informação relativa à operação disponibiliza pelo IGCP, a maior “fatia” desta dívida foi adquirida por investidores em Espanha, França e Itália. Em Portugal ficou 16% do total da emissão, o equivalente a 640 milhões de euros, ligeiramente menos do que foi para o Reino Unido, mas à frente do montante destinado a investidores alemães, austríacos e suíços.

Casalinho nota a liquidez proporcionada pelo BCE, com a “bazuca” de Christine Lagarde, contudo, o peso dos bancos centrais nesta operação foi de apenas 3,7% do total. Quase metade da emissão ficou nas mãos de gestores de fundos, sendo que os bancos arrecadaram 35,5% do remanescente da dívida.

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