Inspeção do BCE obrigou Novo Banco a registar perdas de 533 milhões

  • Lusa
  • 9 Abril 2021

Uma inspeção do BCE ao Novo Banco obrigou ao registo de perdas por imparidade no valor de 317 milhões de euros e com a desvalorização de imóveis no valor de 216 milhões.

Uma inspeção do Banco Central Europeu (BCE) ao Novo Banco obrigou ao registo de imparidades de 533 milhões de euros, 317 milhões dos quais relativos a imparidades e 216 relativas à desvalorização de imóveis, segundo a auditoria da Deloitte.

De acordo com o documento a que a Lusa teve acesso, e que contém informação rasurada devido a restrições de confidencialidade, “o Novo Banco registou perdas de 317 milhões de euros em 2019 relativas a exposições abrangidas” pela on-site inspection (OSI, inspeção no local) feita pelo BCE.

A inspeção foi realizada “com o objetivo de avaliar a gestão de colaterais, NPL [crédito malparado] e ativos recuperados, tendo sido identificadas pelo supervisor necessidades adicionais de imparidade para crédito”.

O relatório do BCE tinha detetado 394 milhões de euros inicialmente, valor que foi atualizado pelo Novo Banco e registado nos 317 milhões, segundo a auditoria.

No total, e além da inspeção do BCE, foram registadas imparidades relativas a crédito a clientes de 711 milhões de euros, também influenciadas, por exemplo, pela carteira de crédito malparado Nata II, “que implicou uma perda de 84 milhões de euros”.

Na inspeção do BCE foram também “identificadas necessidades de desvalorização de imóveis no valor de 216 milhões de euros”, registadas pelo Novo Banco em 2019.

Quanto a imóveis, as perdas totalizaram 491 milhões de euros, incluindo as operações de venda de crédito malparado Sertorius e Albatros, que geraram perdas de 234 milhões de euros, e 83 milhões de euros de um fundo de investimento imobiliário.

O Novo Banco registou ainda uma perda adicional de 95 milhões de euros “resultante da diferença entre a valorização indicada no relatório OSI e a que decorreu do seu processo de reavaliação”.

Outros fundos não identificados pela auditoria geraram perdas de 191 milhões de euros, incluindo a aplicação de um hair-cut (corte na dívida) de iliquidez ao valor do ativo patrimonial líquido divulgado pelas gestoras dos fundos, “o que implicou uma perda de 158 milhões de euros”.

Também foram anulados 138 milhões de euros de ativos por impostos diferidos devido a prejuízos fiscais reportáveis, algo que não teve efeito no rácio de capital do Novo Banco em 2019, “pois foi compensada por uma redução de igual montante nas deduções prudenciais”.

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