BRANDS' ECO DeFi: Desintermediação e hiper liquidez na evolução dos serviços financeiros?

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  • 3 Maio 2021

Tiago Monteiro, Enterprise Commercial Lead na Microsoft Portugal, fala do potencial das crypto-assets na transformação de modelos de negócio no setor financeiro, através das chamadas aplicações DeFi.

A bitcoin e outras moedas virtuais têm captado atenção pelo seu valor crescente e mediatismo, ofuscando o potencial prático de outros crypto-assets na transformação de modelos de negócio, concretamente no setor financeiro, através de aplicações DeFi (descentralized finance).

O principal fim destas Dapps (crédito, wallets, tokens, trading) consiste na desintermediação de certas funções executadas por bancos e seguradoras, sendo habilitados por plataforma blockchain. Em última instância poderão, inclusivamente, potenciar a liquidez de diferentes ativos (imóveis ou frações) com standards distintos de valorização, pela agilidade de conversão e permutabilidade (entre si e vários agentes).

Tiago Monteiro, Enterprise Commercial Lead na Microsoft Portugal.

Para entender o alcance, importa conhecer a base funcional dos crypto-assets, bem como as valências e requisitos tecnológicos subjacentes. Os crypto-assets, a par das moedas (privadas, Fiat money), incluem tokens de diferentes tipologias (pagamentos, security, assets) que assumem a representatividade digital de ativos e titularidade, sob a figura de um smart contract, que reúne os requisitos de transferência e posse. Por inerência, destaca-se a plataforma blockchain como base tecnológica, que assegura a gestão distribuída e encriptada em digital ledgers das transações, através de uma rede de computação onde assentam protocolos P2P. Atualmente, a Ethereum blockchain é a plataforma mais corrente, sendo já adotada para estes fins por várias entidades (J.P. Morgan, Santander, Microsoft).

"Atualmente, estas aplicações carecem ainda de maturidade (segurança, velocidade) e standard legislativo entre mercados para serem alternativas cabais ao modelo bancário tradicional. Contudo, minorar a tendência pode constituir um risco. ”

Tiago Monteiro

Enterprise Commercial Lead na Microsoft Portugal

Assumindo estes fundamentos, depreendem-se impactos vários e potenciais disrupções para os serviços financeiros, entre outros:

  • maior liquidez na transação de ativos, como edifícios;
  • novos modelos de co-responsabilidade na tomada de risco;
  • redução dos custos de intermediação;
  • imutabilidade da informação, essencial à transparência e segurança;
  • proliferação facilitada de modelos KYC e AML, substituindo métodos de validação central;
  • bancarização da população sem registo formal, através de certificação de identidade distribuída;
  • eficiência na gestão de compliance regulatório e auditoria;
  • gestão fluida de tipologias distintas de ativos, entre agentes e plataformas (inter, intra).

"DeFi não deve constituir uma ameaça per se mas uma oportunidade com méritos para elevar os serviços financeiros a outros patamares de relevância de mercado.”

Tiago Monteiro

Enterprise Commercial Lead na Microsoft Portugal

Atualmente, estas aplicações carecem ainda de maturidade (segurança, velocidade) e standard legislativo entre mercados para serem alternativas cabais ao modelo bancário tradicional. Contudo, minorar a tendência pode constituir um risco. O valor do mercado de cripto divisas é crescente e o potencial funcional também, sendo ainda reduzido o peso dos protocolos descentralizados no total de transações (<1% dos créditos nos EUA, fonte: Bloomberg). Recordar que num passado recente, as moedas virtuais eram rotuladas como uma aberração e ameaça, pela descentralização, “privacidade” e suposta opacidade. Atualmente, diversos bancos centrais já facilitam sandboxes para testar Dapps, sendo pública a intenção de governos (britânico, chinês) em criarem as suas próprias moedas virtuais.

Em conclusão, DeFi não deve constituir uma ameaça per se mas uma oportunidade com méritos para elevar os serviços financeiros a outros patamares de relevância de mercado. Os novos serviços (marketplaces), acesso a novos mercados, segmentos e categorias de ativos que possibilita, bem como pela agilidade na gestão operacional (plataformas) e inovação tecnológica que proporciona, igualmente aos restantes setores da economia, podem ser um indício.

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