Noruega pode arrancar vaga de subida de juros na Europa ainda este ano

Governador norueguês reafirmou perspetiva de subida de juros graças ao impacto do desconfinamento na economia. Posição contrasta com os pares europeus, em especial do Banco Central Europeu.

A Noruega poderá ser pioneiro na inversão da política monetária pelos bancos centrais dos países desenvolvidos após a pandemia. O Norges Bank manteve esta quinta-feira inalterado o outlook para 2021, antecipando uma subida dos juros de referência ainda este ano condicionado à reabertura da economia.

“Face à atual avaliação do Comité do outlook e do equilíbrio de riscos, a taxa de juro será muito provavelmente revista em alta na segunda metade de 2021“, diz o governor Øystein Olsen, num comunicado divulgado esta quinta-feira. Para já, os decisores políticos deixaram a taxa de referência inalterada em 0%.

O banco central refere que a evolução económica tem correspondido às projeções com um aumento da atividade nos últimos meses, apesar de as restrições para conter a pandemia estarem a agravar o desemprego. As infeções com Covid-19 têm vindo a diminuir, a primeira fase do plano de desconfinamento no país já foi implementada e grande parte da população adulta da Noruega deverá ser vacinada até o final do verão. “Isto sugere que a atividade económica vai recuperar ao longo do ano“, justifica.

A perspetiva de subida de juros ainda este ano contrasta com os pares da região, em especial o Banco Central Europeu (BCE). A instituição liderada por Christine Lagarde — que mantém os juros em mínimos históricos — não deverá fazer uma inversão nos próximos anos.

Com vários programas massivos de compra de dívida em curso, o BCE promete que continuará a reinvestir os pagamentos de capital dos títulos que atingirem as maturidades, pelo menos, até ao final de 2023. O guidance da autoridade monetária do euro é que essas aquisições só terminem “pouco antes” de o comité de política monetária decidir começar a aumentar as taxas de juro.

Já nos EUA, também não há perspetivas de subida do preço do dinheiro. A secretária do Tesouro (e ex-presidente da Reserva Federal norte-americana), Janet Yellen, disse esta semana considerar que as taxas de juro no país podem ter de subir para controlar o “sobreaquecimento” da economia, que a recuperação pode gerar. Mas, logo no mesmo dia, clarificou que não espera — nem recomenda — que o banco central suba juros.

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