CEO do PSI-20 levaram para casa 20 milhões em ano de pandemiapremium

A totalidade das empresas do PSI-20 já deram a conhecer os salários dos seus gestores no ano passado. Pedro Soares dos Santos, da Jerónimo Martins, foi o que teve a remuneração mais alta.

Mais de 20 milhões de euros. Foi este o valor auferido pelo conjunto dos CEO das 18 empresas do PSI-20. Num ano que ficou marcado pela pandemia, foram sete os gestores que ganharam pelo menos um milhão de euros. E se a Jerónimo Martins foi a empresa que mais pagou ao seu CEO, a EDP foi quem mais gastou com a gestão executiva.

Apesar dos montantes avultados pagos a todos estes gestores, Pedro Soares dos Santos foi, em 2020, o gestor que auferiu um salário mais significativo. Ao longo desse ano, a Jerónimo Martins recompensou o seu presidente executivo em 2,57 milhões de euros. Um aumento de 24% no "cheque" quando olhando para os valores de 2019, com Pedro Soares dos Santos a receber, nesse ano, um total de 2,07 milhões de euros.

Porém, o grupo EDP foi aquele que despendeu uma maior quantia com os seus gestores no ano passado. Com o atual CEO, Miguel Stilwell de Andrade -- que apenas foi eleito como o sucessor efetivo de António Mexia este ano --, a EDP pagou um total de 1,57 milhões de euros a título de salário. Em causa estava o cargo de presidente executivo interino da EDP e da EDP Renováveis, que ocupou em 2020.

Mas os montantes atribuídos a António Mexia e a João Manso Neto foram ainda superiores. No ano em que acabaria por deixar a liderança do Conselho Executivo da EDP, Mexia ganhou 2,37 milhões de euros. Também o ex-presidente executivo da EDP Renováveis auferiu uma boa quantia, a qual foi bem superior em comparação com o ano anterior. O seu salário em 2020 foi de 2,26 milhões de euros, 54% acima do que ganhou em 2019.

Com a fatura a pagar a estes três gestores, a EDP teve de desembolsar um total de 6,2 milhões de euros em 2020. Isto num ano em que as 18 empresas do PSI-20 despenderam um total de 20,3 milhões de euros com os salários dos seus gestores.

Nota: A remuneração efetiva de Miguel Maya, do BCP, foi de cerca de 650 mil euros. A remuneração variável ascendeu a cerca de 287 mil euros, com 260 mil euros relativos a bónus atribuídos em 2020 e que serão pagos quando o banco voltar a pagar dividendos.

Outros três gestores receberam mais de um milhão de euros

Outros três nomes figuram na lista dos sete gestores que receberam, em 2020, um salário anual superior a um milhão de euros. Entre eles, destaca-se o nome daquela que é a única mulher a liderar uma empresa do PSI-20, pois foi quem viu o seu salário crescer mais de um ano para o outro. No ano passado, o rendimento anual de Cláudia Azevedo foi de 1,24 milhões de euros, uma subida de cerca de 73% em comparação com os 716 mil euros ganhos pela CEO da Sonae no ano anterior.

Também Carlos Gomes da Silva, que abandonou a liderança da Galp no princípio deste ano, auferiu um rendimento de 1,87 milhões de euros no ano em que a pandemia chegou a Portugal. No cargo que é agora de Andrew Brown, Gomes da Silva viu o seu salário crescer 5% em comparação com 2019 (1,78 milhões de euros).

Depois de ter recebido, em 2019, cerca de 1,4 milhões de euros, o CEO da Semapa, João Castello Branco, voltou a superar a barreira do milhão de euros no que diz respeito a essa matéria. Embora com uma quebra de quase 10% face ao ano anterior, o presidente executivo da empresa ganhou 1,31 milhões de euros no conjunto de 2020.

Também houve cortes nos salários dos CEO

A Mota-Engil (-41,5%), a Pharol (-40,5%) e a Corticeira Amorim (-33,2%) foram as três empresas desta lista que mais cortaram nos salários dos seus presidentes executivos face a 2019. O caso mais severo foi o de Gonçalo Moura Martins, que viu o seu vencimento baixar dos 757 mil para os 443 mil de um ano para o outro.

Na Pharol, Luís Palha da Silva apenas ganhou 272 mil euros no decurso do mesmo ano, valor que fica bem abaixo dos 458 mil euros ganhos no período homólogo. Também António Rios Amorim sofreu um corte no seu rendimento, que desceu de 359 mil euros para os 240 mil euros.

Por sua vez, o CEO da Ramada foi o que obteve uma menor remuneração no ano em que a pandemia chegou a Portugal, a qual foi precisamente igual ao ano anterior. Em 2020, João Borges de Oliveira ganhou "apenas" 123 mil euros ao longo do ano -- valor que fica bem abaixo dos salários milionários auferidos por outros dos gestores de empresas do PSI-20.

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