Banco de Portugal foi mais de 2.000 vezes ao mercado. Comprou 18,5 mil milhões de dívida pública portuguesa

Balanço do Banco de Portugal atingiu novo máximo no final de 2020, chegando aos 192 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal (BdP) fez mais de duas mil operações no mercado de dívida pública, num ano marcado pela “bazuca” do Banco Central Europeu (BCE) para responder à pandemia. A instituição liderada por Mário Centeno comprou 18,5 mil milhões de euros de títulos de dívida pública portuguesa, dos quais 14,3 mil milhões no âmbito do programa de emergência do BCE (que é executado a nível nacional). Balanço atingiu máximo histórico.

“O Banco de Portugal efetuou 2.101 transações de títulos do setor público ao longo do ano, com 26 instituições financeiras, das quais cinco são portuguesas”, no ano passado, de acordo com o Relatório da Implementação da Política Monetária referente a 2020, divulgado esta quinta-feira.

O programa de compras de emergência por pandemia do BCE (PEPP) assumiu uma grande relevância no ano passado, marcado pelo surgimento da pandemia, nomeadamente pela flexibilização dos limites que existiam. O envelope inicial foi de 750 milhões, mas este foi expandido até 1.850 milhões de euros, sendo que o horizonte foi também alargado até março de 2022, com reinvestimentos até final de 2023.

É possível ver o impacto, por exemplo, no PSPP [programa de compra de obrigações governamentais], que atingiu 4,2 mil milhões de euros, um valor ligeiramente abaixo de 2019. Já as compras no PEPP atingiram 14,3 mil milhões (valores líquidos dos montantes vencidos em carteira). O ritmo maior das compras de dívida pública ocorreu a partir de março, quando foi lançado, até ao verão.

Com este cenário, o stock acumulado no final do ano, isto é, o total de dívida pública acumulada era de 52,8 mil milhões de euros. De notar que o Banco de Portugal é o maior detentor da dívida pública neste momento. As principais medidas, nomeadamente de compra de dívida e TLTRO III (operações de refinanciamento de prazo alargado), levaram a um excesso de liquidez, que se reflete nos depósitos das instituições de crédito, que chegou aos 31 mil milhões de euros.

Quanto às TLTRO III, os montantes colocados em 2020 “ascenderam a 1648 mil milhões de euros na área do euro (a operação de junho atingiu
o valor mais elevado de sempre numa única operação de cedência de liquidez) e a 30 mil milhões de euros em Portugal”.

Neste contexto, o balanço do Banco de Portugal atingiu um novo máximo no final de 2020, no valor de 192 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 20,5% face ao final de 2019. Isto depois de já ter registado máximos também no ano passado.

Até ao final do ano passado, o “montante total de títulos adquiridos no âmbito do APP [programa de compra de ativos alargado] registados no balanço do Banco de Portugal representava cerca de 54,3 mil milhões de euros, dos quais 51,4 mil milhões de euros correspondiam ao programa PSPP e 2,9 mil milhões de euros ao CBPP3 [obrigações hipotecárias]. No PEPP, esse montante totalizou 14,2 mil milhões de euros”.

Quanto ao volume de títulos emprestados em 2020 pelo Banco de Portugal, este “atingiu uma média mensal de 1,5 mil milhões de euros, mais 211 milhões de euros que a média registada no ano anterior”. Os títulos de dívida pública foram os mais procurados, “representado em média cerca de 75% do montante total, complementado pelos títulos supranacionais e obrigações hipotecárias”, nota a instituição.

(Notícia atualizada às 14h25 com mais informação)

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