Metalurgia em forte recuperação, mas alerta para falta de matéria-prima

O setor da metalurgia e metalomecânica está a resistir à pandemia e a retomar a todo o gás. No entanto, a Aimmap alerta para a "enorme escassez" e "escalada dos preços das matérias-primas".

À semelhança do mobiliário, as exportações no setor da metalurgia e metalomecânica cresceram 45% no terceiro mês do ano e “março foi o melhor mês de sempre ao alcançar 1.960 milhões de euros”, quando comparado com o período homólogo. No entanto, apesar da forte recuperação, o setor enfrenta problemas na escassez e aumento do custo das matérias-primas, avançou ao ECO a Associação dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos e Afins de Portugal (Aimmap).

“O segundo semestre foi de uma recuperação profunda e tivemos meses muitíssimo bons de exportações, nomeadamente outubro de 2020 que foi até à data o melhor mês de sempre. O primeiro trimestre deste ano está a correr muito bem e março foi o melhor mês de todos os tempos, ao ultrapassar o resultado de outubro do ano passado”, explica Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Aimmap.

Para além do aumento da procura, o setor, que emprega 250 mil pessoas, não perdeu postos de trabalho em tempos de pandemia. No entanto, apesar de o balanço ser extremamente positivo, a associação alerta para a “enorme escassez” e “escalada dos preços das matérias-primas”.

Temos empresas que estão com dificuldade porque têm muitas encomendas, mas depois não têm matérias-primas para transformar. À acrescentar à escassez dos micros processadores, ao aumento do preço do transporte marítimo e à falta de contentores. Isto são dificuldades que se somam a uma carga fiscal elevada e ao custo energético que é dos mais elevados da Europa.

Rafael Campos Pereira

Vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos e Afins de Portugal

“Neste momento, o cobre triplicou o preço, o alumínio e aço quase duplicaram. Isto é uma dificuldade muito grande a acrescentar aos prazos de entrega das matérias-primas que estão muito dilatados. Temos dificuldades em encontrar matérias-primas, estão mais caras e a qualidade é inferior“, conta Rafael Campos Pereira.

“A escassez e aumento das matérias-primas criam constrangimentos. Temos empresas que estão com dificuldade porque têm muitas encomendas, mas depois não têm matérias-primas para transformar, a acrescentar à escassez dos micros processadores, ao aumento do preço do transporte marítimo e à falta de contentores. Isto são dificuldades que se somam a uma carga fiscal elevada, custo energético que é dos mais altos da Europa”, destaca o vice-presidente da Aimmap.

A associação da metalurgia e metalomecânica, que conta com mil empresas do setor, espera aumentar as exportações em 10% este ano, isto se tiverem matérias-primas. “Se tudo correr dentro da normalidade vamos crescer substancialmente nas exportações”, adianta o vice-presidente da Aimmap. Os principais mercados do setor são Espanha, Alemanha, França, Reino Unido e Itália.

Rafael Campos Pereira adiantou ainda que mesmo em “cenário terrível de crise”, o setor “soube reagir”, procurando novos mercados internacionais. “As nossas exportações para fora da Europa estão a crescer substancialmente em mercados como o Japão, Austrália e China. Em março, 74% das exportações foram para a União Europeia e 26% para fora”. O setor exportou em ano de pandemia 17,1 mil milhões de euros.

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