Saída de EDP e Galp do H2Sines não é revés, consórcio mantém acordo com Holanda e Porto de Roterdão

  • Capital Verde e Lusa
  • 2 Junho 2021

Decisão das duas empresas portuguesas de energia não é considerada como um revés, tendo em conta que permanecem no consórcio pesos pesados internacionais como a Vestas e a Engie.

A Galp ainda não anunciou oficialmente a sua saída do consórcio H2Sines, algo que se espera que aconteça pela voz do novo CEO Andy Brown esta quarta-feira durante o Capital Markets Day da empresa, mas ao mercado a petrolífera já revelou que pretende transformar gradualmente a refinaria de Sines, no distrito de Setúbal, “num centro de energia verde”, um projeto que será alavancado no acesso ao hidrogénio verde.

De saída do mega projeto de 1,5 mil milhões de euros de investimento para a produção de hidrogénio em Sines para ser exportado para a Holanda está também a EDP, que já o disse formalmente. “A EDP entende que a sua estratégia e futuros investimentos em hidrogénio verde deverão aplicar-se a outros projetos”, revelou fonte oficial.

O ministério do Ambiente e da Ação Climática ainda não reagiu ainda à saída destes dois pesos pesados do projeto bandeira da Estratégia Nacional para o Hidrogénio também do Sines Hydrogen Valley, mas o ECO/Capital Verde sabe que para o Governo esta decisão das duas empresas portuguesas de energia não é considerada como um revés, tendo em conta que permanecem no consórcio pesos pesados internacionais como a Vestas e a Engie, que ficará a liderar o projeto.

O facto de se manter o consórcio original, com os acordos internacionais (com o Governo da Holanda e o Porto de Roterdão), será outro dos motivos para o Governo não se mostrar preocupado com a mudança de configuração do projeto.

Contactada pelo ECO/Capital Verde, a Martifer — a única empresa portuguesa que ainda se mantém a bordo não comenta a saída da EDP e da Galp. No entanto, é já certo que a Martifer não seguirá os passos das outras duas empresas nacionais e se manterá para já a avaliar o projeto, com vista a um investimento no mesmo, apurou o ECO/Capital Verde.

Por saber está ainda como será agora dividido o montante de investimento previsto de 1,5 mil milhões de euros para o H2Sines: apenas por três parceiros, cabendo uma fatia maior a cada um deles, ou reduzindo o valor do projeto?

Do lado da EDP, a elétrica garante que “esta reavaliação do projeto H2Sines não anula o compromisso em manter a ligação a Sines e avaliar todas as potenciais oportunidades de investimento em projetos naquela região, seja no hidrogénio verde, seja em qualquer outra área”

De olho no hidrogénio verde, a empresa “continua a avaliar projetos inovadores e com potencial de crescimento nesta área nas várias geografias em que opera, mantendo atualmente cerca de 20 projetos sob análise”.

Galp avança com projeto próprio de hidrogénio de 100 MW até 2025

Na sua atualização da estratégia até 2025, a Galp refere o plano de “transformação gradual da unidade industrial de Sines num centro de energia verde também será alavancada no acesso ao hidrogénio verde, o que permitirá outras aplicações industriais”, referindo a produção de combustíveis sintéticos.

“Encontramo-nos numa posição privilegiada para desenvolver soluções de hidrogénio verde, usufruindo das nossas capacidades industriais”, lê-se no comunicado divulgado antes da abertura do mercado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“A Galp tenciona desenvolver até 2025 um projeto de um eletrolisador com uma capacidade de 100 MW, com posterior potencial de expansão para 0,6-1,0 GW, caso o modelo de negócio seja comprovado”, acrescenta.

A Galp decidiu concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Leça da Palmeira, Matosinhos, com base numa avaliação do contexto europeu e mundial da refinação.

A petrolífera tem vindo a manifestar a intenção de ter “um papel ativo na transição energética para adaptar o seu portefólio a futuros padrões de procura”.

“Queremos identificar e acelerar soluções de negócio alinhadas com a transição energética e que sejam, simultaneamente, inovadoras e com potencial de escala, alocando cerca 5% do investimento líquido do grupo durante 2021-25”, destaca.

Neste período, o investimento previsto é em média entre 800 e 1.000 milhões de euros por ano, o que representa uma redução de cerca de 20% face ao plano anterior.

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