Inflação? Gentiloni diz que UE não é igual aos EUA. “Há muitas diferenças”

A subida da inflação na União Europeia não assusta, para já, a Comissão Europeia. Os responsáveis admitem que a questão tem de ser acompanhada, mas a ideia de que é um efeito temporário mantém-se.

Os preços podem estar a subir face ao ano passado, mas as previsões da Comissão Europeia apontam para um efeito temporário e não estrutural na taxa de inflação na União Europeia. Apesar de ter subido para um máximo de 2018 em maio deste ano, a discussão não está ao mesmo nível da que se desenrola atualmente nos Estados Unidos. “Há muitas diferenças” entre as duas economias, lembra Paolo Gentiloni.

Foi na conferência de imprensa de apresentação do pacote de primavera da Comissão Europeia que o assunto veio à baila, apesar de não constar da análise feita por Bruxelas nem ter sido discutido no colégio de comissários, como confirmou o vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis.

Tanto Gentiloni como Dombrovskis concordaram que é preciso “monitorizar de perto” e “muito cuidadosamente” a evolução da inflação na União Europeia. Porém, nenhum dos dois mostrou estar preocupado com o que dizem os números que se conhecem até ao momento nem com as previsões sobre a evolução futura dos preços na UE.

Nas nossas previsões a inflação tem o seu pico este ano, mas depois não se mantém elevada“, lembra o comissário europeu para a economia, argumentando que — apesar de existir uma “grande discussão entre economistas”, principalmente nos EUA — a inflação “core” (inflação subjacente, que retira componentes mais voláteis) “não está a subir muito”.

Isto é explicado pelo efeito da pandemia, principalmente nos preços da energia, uma das componentes mais voláteis. Como o consumo de petróleo caiu a pique no ano passado, o preço do barril também colapsou, tendo chegado a negociar nos mercados a preços negativos, o que se repercutiu nos preços cobrados aos consumidores, o que é captado pela inflação calculada pelo Eurostat.

Entretanto, com a retoma da economia e a adaptação à pandemia, a procura aumentou e o preço voltou a subir para os níveis pré-crise e até acima disso, o que leva a que na comparação homóloga haja crescimentos expressivos da inflação. Porém, Gentiloni disse que mantém-se a “ideia geral de que isto é um fenómeno transitório”.

E lembrou que “não devemos considerar a Europa idêntica aos EUA” onde, subentende-se, esta discussão poderá fazer mais sentido por causa de pressões mais estruturais do que temporárias. “Há muitas diferenças”, notou, sem elaborar mais.

Já Valdis Dombrovskis considera que é preciso “perceber até que ponto estamos a ter um efeito temporário” ou se estamos perante “uma mudança estrutural”. Para já, “não podemos ir muito longe nas conclusões” que se tira dos números, avisou. Para o futuro, apesar de este ser “maioritariamente” um assunto do Banco Central Europeu, o letão admitiu que pode ter implicações na política monetária e no conjunto das políticas macroeconómicas na União Europeia.

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