IoT em “rápido crescimento”, mas custos são “obstáculo” à expansão

Relatório preliminar de inquérito ao setor critica limites impostos pela Google, Amazon e Apple nos assistentes virtuais instalados em dispositivos. Comissão Europeia estuda adotar medidas.

Um inquérito da Comissão Europeia sobre internet das coisas (IoT) confirmou que os mercados associados ao fenómeno estão em “rápido crescimento”. Mas identificou também vários “obstáculos” à sua expansão que poderão ser alvo de medidas no futuro.

O trabalho arrancou a 16 de julho de 2020 e contou com a participação de mais de 200 empresas de diferentes dimensões nos mercados de bens e serviços relacionados com IoT, sediadas não só na Europa como também na Ásia e nos EUA. Perto de um ano depois, chega agora o relatório preliminar.

A primeira conclusão de Bruxelas é que, “embora seja um domínio relativamente novo, a IoT para os consumidores está a crescer rapidamente e cada vez mais a fazer parte da nossa vida quotidiana”.

Notória é a tendência dos assistentes de voz “como interfaces do utilizador para interagir com os diferentes aparelhos inteligentes”, de que são exemplos, também, mas não exclusivamente, a Siri (Apple), o Assistant (Google), a Alexa (Amazon) e a Bixby (Samsung).

Porém, levantam-se “obstáculos” à expansão da tecnologia que preocupam a Comissão Europeia. “A maioria dos participantes no inquérito setorial considera que os custos do investimento em tecnologia e a situação concorrencial constituem os principais obstáculos à entrada ou expansão no setor”, indica Bruxelas num comunicado. A fatura fica particularmente elevada no campo dos assistentes de voz.

Outro problema apontado pelos players auscultados pela Comissão tem a ver com as “dificuldades em competir com as empresas integradas verticalmente que desenvolveram os seus próprios ecossistemas dentro e fora do setor da IoT para os consumidores”. Bruxelas identifica mesmo algumas delas: Google, Amazon e Apple.

Sobre este ponto, uma particular preocupação é o facto de estas empresas limitarem o uso de “diferentes assistentes de voz no mesmo aparelho inteligente”. Para já, a Comissão não sinaliza eventuais medidas concretas que poderá adotar para tentar corrigir estas situações, mas pode vir a tomá-las no futuro.

“Quando lançámos este inquérito setorial preocupava-nos o risco de surgimento de pessoas que controlassem o acesso neste setor. Receávamos que pudessem utilizar o seu poder para prejudicar a concorrência, em detrimento das empresas em desenvolvimento e dos consumidores”, começa por explicar a vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Margrethe Vestager.

Ora, de acordo com os primeiros resultados, as preocupações de Bruxelas “são aparentemente partilhadas por muitas pessoas do setor”, indica a comissária. “É necessária uma concorrência leal para tirar o máximo partido do grande potencial da Internet das Coisas para os consumidores nas suas vidas quotidianas”, destaca Vestager.

O relatório preliminar vai agora ser sujeito a uma consulta pública até setembro, cujos resultados Vestager aguarda “com expectativa”. O relatório final, que servirá de orientação para “futuras atividades de controlo da aplicação da legislação e de regulamentação da Comissão”, deverá ser divulgado na primeira metade do próximo ano.

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