Incidência a disparar põe em risco matriz da Covid-19

O aumento da incidência e da transmissibilidade levaram a matriz de risco para a zona vermelha, aproximando-se do nível máximo do quadrado que serve de guia para a gestão da pandemia.

Muitos querem mudar a matriz de risco e em breve esta pode nem conseguir refletir os números da pandemia em Portugal. A Direção-Geral da Saúde atualizou a incidência e o indicador de transmissibilidade e o resultado já está próximo de ultrapassar a escala do quadrado que serve de guia para a gestão da pandemia, de acordo com o boletim desta segunda-feira que divulga os dados até este domingo.

A matriz de risco foi criada em março no início do desconfinamento deste ano, após o segundo confinamento de janeiro e fevereiro. Desde então que os portugueses estão habituados a olhar para o quadrado que reflete o número de novos casos nos últimos 14 dias por 100.000 habitantes e o indicador de transmissibilidade (Rt) do vírus.

Desde o arranque do desconfinamento que os valores têm sido controlados, entre o verde e o laranja, mas nas últimas semanas a situação epidemiológica deteriorou-se e o valor passou para a zona vermelha. Agora, com os dados disponíveis a 4 de julho, a incidência nacional está nos 224,6 casos por 100 mil habitantes, próximo do limite do gráfico de 240 casos. O R(t) está nos 1,19, não tão perto do seu limite de 1,5.

Esta “bússola” de risco com uma gradação de cores passa assim a estar em risco de ser ultrapassada pela realidade. Porém, é de assinalar que o Governo decidiu em março também acrescentar dois critérios que devem ser acompanhados em conjunto com os indicadores: “a existência de capacidade de resposta assistencial do Serviço Nacional de Saúde (SNS), designadamente em termos de acompanhamento, internamento e resposta de cuidados intensivos e de capacidades adequadas de testagem e rastreio”. Em ambos os indicadores, para já, a situação não está próxima do que aconteceu em janeiro e fevereiro deste ano.

Nas últimas semanas, tanto o Presidente da República como alguns especialistas têm pedido ao Governo para mudar a matriz de risco face à evolução da vacinação e a outros critérios: “Se houver uma taxa de imunidade cá dentro apreciável, há um momento a partir do qual não há razões em termos de vida e de saúde que justifiquem parar a economia e a sociedade indefinidamente“, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Já investigadores que falavam no Parlamento, citados pela Lusa, na semana passada defendiam uma adaptação da matriz de risco para que haja decisões mais rápidas. A atual matriz está “obsoleta” e é “enganadora” porque os indicadores utilizados são “muito lentos”, defendiam.

Contudo, o primeiro-ministro tem defendido que é “inútil” mudar a matriz de risco: “Muita gente em Portugal tem discutido matriz. Tenho insistido em explicar que a matriz é a que adota o Centro Europeu de Controlo das Doenças, é inútil alterarmos a nossa matriz“, afirmou António Costa. Porém, Mariana Vieira da Silva admitiu que será possível “olhar de outra forma” para a matriz de risco.

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